Renúncia de Temer 'pouparia país de mais sofrimento', diz Janaína Paschoal

A jurista Janaína Paschoal, uma das autoras da ação que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, diz que renúncia de Michel Temer seria o melhor para o Brasil.

"Preferiria que ele renunciasse, para poupar o país de mais sofrimento", disse Paschoal em entrevista à BBC Brasil neste sábado. Ela também afirmou que fará o possível para que isso ocorra.

"Quem tiver que cair, vamos até o fim nesse processo de depuração."

Em pronunciamento também neste sábado, o presidente disse que continuará à frente do governo.

Na quinta-feira, o jornal O Globo revelou a delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS, que disse que Temer deu aval a uma operação de compra de silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Desde então, o áudio da conversa entre os dois foi divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, bem como o conteúdo das delações de Joesley e de seu irmão Wesley Batista.

No diálogo, o dono da JBS fala de forma cifrada de sua relação com "Eduardo", que seria o ex-deputado Eduardo Cunha. O empresário diz que "está de bem com Eduardo" e Temer responde "tem que manter isso, viu?"

Para Janaína, os áudios da delação da JBS revelados até agora já são suficientes para o impeachment de Temer. "O que foi divulgado me parece suficiente para evidenciar a quebra de decoro. Votei pelo impeachment ontem em consulta feita pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil)."

Mas, ao contrário do desejo de muitos brasileiros e movimentos sociais, Janaína não concorda com a pedido de eleições diretas.

"Temos que seguir a Constituição Federal e ela prevê eleição indireta para completar o mandato. Esse pleito (de diretas) é uma estratégia para tentar emplacar o Lula antes das condenações", disse.

A jurista ressaltou que é completamente contrária a qualquer emenda constitucional para tirar o presidente neste momento.

"Tem o caminho do processo por crime comum, perante o STF, e do crime de responsabilidade, perante o Congresso."

Após a delação ser divulgada pelo jornal, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, atendeu a pedido da Procuradoria Geral da República e autorizou a abertura de um inquérito para investigar Temer. Com isso, o presidente passou à condição de investigado na operação.

Manifestações

Mesmo a favor da saída do presidente, ela afirma apoiar a decisão de alguns movimentos sociais de cancelar protestos anti-Temer marcados para domingo. O Vem Pra Rua argumentou que a polícia havia dito que não poderia garantir a segurança do ato, mas a PM negou que tenha dado tal orientação.

Já o MBL (Movimento Brasil Livre) afirmou que os áudios divulgados até agora são inconclusivos e não justificam a queda do presidente.

"Acho o cancelamento prudente. Os pleitos são diferentes, poderia haver conflito. O processo de depuração vai seguir, com ou sem protestos", disse Janaína.

Outros movimentos sociais, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), vão manter as manifestações para a tarde deste domingo.

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