Líder do DEM diz que acusações são graves, mas que partido vai esperar para decidir se sai do governo Temer

A grave crise política que se instalou no governo desde a revelação da delação de Joesley Batista, um donos da JBS, fez com que a base aliada passasse a rever seu apoio ao presidente Michel Temer.

Neste domingo, lideranças do PSDB, DEM e PPS se reuniriam para avaliar um possível desembarque do governo, mas o encontro foi cancelado, o que deu certo alívio ao peemedebista.

Em entrevista à BBC Brasil, o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB) disse que seu partido não tem outra reunião marcada para discutir a possível saída.

Segundo dele, a sigla tem "responsabilidade com o país" e vai aguardar "mais informações" para "analisar melhor o cenário".

Por enquanto, disse o parlamentar, Mendonça Filho (DEM) permanece como ministro da Educação.

Efraim Filho reconhece que as "denúncias são graves", mas critica o Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público por terem concedido um acordo de delação muito benevolente aos executivos e donos da JBS.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - O DEM vai fazer outra reunião para discutir a situação do governo Temer?

Efraim Filho - A priori não. Estamos esperando ter informação completa sobre tudo. Acho que este momento é de buscar informação. Não adianta você deliberar sem informação. É por aí que a gente está seguindo.

BBC Brasil - Seria precipitado sair agora?

Efraim Filho - O ministro Mendonça continua à frente da Educação e vamos buscar mais informação para poder fazer uma avaliação mais completa do cenário.

BBC Brasil - Tem como andar com as reformas agora?

Efraim Filho - Acredito que as reformas são uma agenda do país, não são a agenda de um governo. O Brasil é maior do que nomes.

Então, o interessante é que ela seja uma agenda de Estado e não uma agenda de governo. Agora, a cada dia tem um novo desafio. Acho que neste momento a crise institucional é a agenda principal a ser discutida e assim que for ultrapassada, seja de qual forma for, as reformas devem voltar à pauta do país.

BBC Brasil - O DEM me parece mais inclinado a manter o apoio ao presidente. É uma leitura correta?

Efraim Filho - Não, o DEM tem responsabilidade com o país. Então neste momento é ter responsabilidade com o país e só deliberar depois que puder fazer uma avaliação completa das informações e dos cenários. As coisas têm chegado a conta gotas, com certeza o momento é delicado, as denúncias são graves, mas existe também muita contestação com os procedimentos que foram adotados com os delatores.

É uma benevolência sem precedentes. Eles cometeram crime, ganharam dinheiro com a crise, isso também deve ser contestado. Não pode o Supremo e o Ministério Público acharem natural que delator ganhe dinheiro com a crise. Então tem que ser avaliado de todos os lados e é isso que o Democratas está fazendo nesse momento.

BBC Brasil - O senhor acha que houve armação?

Efraim Filho - Não, não trabalho com essa hipótese. Mas tem que ver os procedimentos que foram usados com os delatores.

Acho que as investigações sobre a responsabilidade do presidente Temer têm que ser aprofundadas, defendemos isso. Agora, não pode os delatores gozarem da benevolência de terem cometidos os crimes e hoje saírem ricos do caos provocado por eles mesmos.

BBC Brasil - Mas isso não retira os problemas que recaem sobre Temer.

Efraim Filho - De forma alguma. Não estou justificando uma coisa com outra. Estou dizendo que temos que avaliar o cenário como um todo.

Isso tem gerado uma reação muito forte também da sociedade, acabou gerando um sentimento de impunidade. Eles se aproveitaram dos subsídios públicos, fizeram fortuna e praticamente saíram sem dever nada à Justiça e ao país.

BBC Brasil - O DEM deve tomar uma decisão nesta semana sobre permanecer no governo?

Efraim Filho - Depende do acesso à informação. Até que ponto vamos ter acesso completo à informação para poder fazer essa avaliação.

BBC Brasil - Mas que informação está faltando para os senhores?

Efraim Filho - Não... Você hoje tem informação sobre delação que não tinha ontem, está entendendo?

Amanhã vamos ter notícias novas que não temos hoje. Então, na quarta-feira o Supremo se pronuncia sobre a suspenção ou não do inquérito.

Há uma contestação sobre se esse é um inquérito que está no âmbito da Lava Jato ou dos fundo de pensão (isso mudaria a competência de Fachin para outro ministro do STF), eu presidi a CPI dos fundos de pensão. A JBS foi chamada por condução coercitiva no âmbito da Greenfield, que é outra operação. É preciso que tenhamos uma avaliação sobre isso.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos