Série de TV sobre marido com 4 mulheres reacende debate sobre poligamia na África do Sul

Megha Mohan - BBC Trending

A prática da poligamia voltou a ser tema de debate na África do Sul graças à popularidade de um reality show e sua repercussão nas redes sociais.

Uthando Nes'thembu, nome que pode ser traduzido como "amor e poligamia", retrata a vida de Musa Mseleku, que diz querer mudar a percepção das pessoas sobre o tema.

Profissional do ramo imobiliário, ele tem 43 anos, dez filhos e... quatro mulheres.

O programa, que estreou em 19 de maio, é gravado na propriedade rural da família, perto de Durban, no sudeste do país. Cada uma das quatro esposas tem sua casa, mas todas compartilham o terreno.

Logo virou um dos assuntos mais comentados no Twitter sul-africano, com milhares de tuítes debatendo o lugar da poligamia na sociedade moderna.

"Um dos maiores enganos a respeito de estilos de vida polígamos é de que se trate de uma cultura que busca a opressão das mulheres", diz Mseleku à BBC.

"Essa foi uma das razões pelas quais quisemos fazer o programa, para que as pessoas vejam que esse não é o nosso caso. Quero mostrar que homens podem estar em relações polígamas e também serem maridos atenciosos."

Mas críticos do programa lembraram que o estilo de vida defendido por Mseleku tem, sim, restrições às mulheres.

Usuários do Twitter mencionaram, por exemplo, um episódio em que ele insistiu em um "toque de recolher": suas esposas têm de estar em casa às 17h. Também precisam pedir permissão do marido para sair com amigos ou beber álcool.

"Acho que em cada lar, especialmente nós sul-africanas, acreditamos que os maridos são como um deus", diz à BBC a quarta mulher de Mseleku, Thobile. "Então você não pode fazer o que quiser, a não ser que ele lhe dê seu aval."

Mseleku argumenta que ele também recebe imposições: diz que tem de estar em casa uma hora antes que as mulheres, "para que eu possa me preparar para todas elas".

'Como irmãs'

Thobile está casada com Mseleku há nove anos. Quando o conheceu, ele já tinha duas esposas - então ela diz que já sabia no que estava se metendo. E seus avós também haviam sido parte de uma família polígama.

Segundo Thobile, as quatro esposas - as demais se chamam Busisiwe MaCele, Nokukhanya MaYeni e Mbali MaNgwabe - são como irmãs que se ajudam e se aconselham mutuamente.

Mas o reality show, que mostra como as quatro mulheres equilibram suas rotinas, carreiras, cuidados com a casa e maternidade, evidencia também algumas tensões familiares.

"Nossa maior fonte de conflito é o tempo", diz Thobile. "É frustrante quando todos vamos sair juntos e uma de nós está pronta e tem de esperar pelas outras esposas."

Tempo é algo sobre que Mseleku diz pensar constantemente.

"Tento assegurar que meu tempo seja dividido igualmente entre as mulheres e meus filhos."

Poligamia x monogamia

A poligamia não é ilegal na África do Sul, ainda que não seja adotada pela maioria da população. É mais comum entre o grupo étnico zulu, ao qual pertence o presidente sul-africano (que tem três esposas).

Ndela Ntshangase, acadêmico que estuda a etnia zulu na Universidade de KwaZulu-Natal, explica que as uniões polígamas começaram a diminuir na África do Sul já no século 19, quando missionários pregavam que a conversão ao cristianismo exigiria a abdicação das esposas adicionais.

"Colonizadores britânicos enfiaram (a monogamia) goela abaixo da população negra por intermédio de impostos que cresciam a cada esposa e pela alocação em terrenos com espaço insuficiente para famílias polígamas", acrescenta.

E será que o arranjo familiar de Mseleku funcionaria ao contrário - ele aceitaria que suas mulheres tivessem outros maridos?

"De jeito nenhum", ele ri. "Eu morreria!"

Thobile diz que a atitude do marido não a incomoda.

"Escolhemos esta vida. Escolhemos ele e apenas ele."

E há espaço para uma quinta esposa?

"Vamos explorar esse tema no programa", diz Mseleku. "Então fique de olho."

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