O que o resultado da eleição britânica significa para o Brexit

O Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, não conseguiu manter maioria absoluta nas eleições gerais realizadas na quinta-feira no Reino Unido.

Embora os conservadores tenham obtido mais assentos no Parlamento do que outros partidos, não obtiveram os 326 postos necessários para governarem sozinhos.

Theresa May convocou eleições antecipadas em abril, com a intenção de aumentar sua maioria no Parlamento e se fortalecer para as negociações da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit. Mas falhou nesta missão.

Agora, com Parlamento em suspenso (sem maioria) e após o anúncio de que May pretende formar um governo de minoria - com apoio do Partido Democrático Unionista (DUP, da Irlanda do Norte) - há muitos fatores em aberto.

O início das negociações do Brexit está previsto para 19 de junho, mas o governo britânico pode pedir um adiamento desta data.

Com um governo de minoria ou mesmo com uma eventual coalizão com o DUP, os conservadores não terão a tranquilidade que queriam ter para comandar o processo, nem a força de barganha que uma mandato legitimado por uma ampla maioria no Parlamento poderia garantir.

A expectativa era que as eleições definissem o tipo de Brexit que o país almejaria nas negociações com a UE: um Brexit "duro", com uma ruptura acentuada em que o Reino Unido abre mão por completo do acesso ao mercado comum e de acordos alfandegários com a UE; ou uma versão "suave", que permita uma relação especial com o bloco, como a da Noruega, por exemplo, que tem acesso privilegiado ao mercado comum, apesar de não ser membro da UE.

Para May, vista como grande derrotada na eleição (apesar da vitória técnica), sobrou pouco cacife e autoridade para decidir por conta própria o que será melhor para o país.

Para os Europeus, o cenário é de pessimismo e preocupação.

Guy Verhofstadt, negociador-chefe do Parlamento Europeu, disse que a eleição britânica "complicará ainda mais uma negociação que já era complexa".

"(Foi) Mais um gol contra; primeiro de (David) Cameron, agora de May".

May assumiu o cargo em julho do ano passado, em substituição ao também conservador David Cameron, que renunciou após sair derrotado do plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE.

Para o economista Martin Beck, as chances de garantir um acordo para o Brexit foram reduzidas consideravelmente.

"As chances de as negociações (Brexit) acabarem sem um acordo agora são muito maiores", declarou Beck.

Para o deputado alemão Stephan Mayer, o Reino Unido deveria ter tempo de formar um governo estável antes das negociações começarem.

"Isso significa instabilidade para o Reino Unido. Oficialmente, Theresa May ainda é o ponto focal nas negociações do Brexit, mas a realidade política é diferente depois dessa derrota desastrosa", afirmou Mayer, em entrevista a uma rádio alemã.

"Não consigo imaginar que May possa continuar no cargo. É por isso que seria errado pressionar o Reino Unido. Eu acho que devemos dar tempo a eles para formar um governo estável", completou.

Em casa, sem maioria, May terá de fazer justamente o que queria evitar a qualquer custo: ter de dar ouvidos a outros partidos.

O Partido Trabalhista saiu fortalecido do pleito, e seu líder chegou a propor, no primeiro dia após a eleição, que seria um "gesto generoso" do Parlamento concordar que os cidadãos da UE possam permanecer no Reino Unido e ressaltando a importância de se buscar um bom acordo comercial com o bloco.

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