6 perguntas que podem ajudar você a saber se é hipocondríaco

Você se considera hipocondríaco?

Segundo o Manual de Transtornos Mentais, publicado pela Associação de Psiquiatria dos EUA, trata-se de uma condição que leva as pessoas a acreditarem que estão com uma doença grave.

Ou seja, o paciente considera que sintomas normais do corpo - como cansaço, cefaleia ou dores musculares - significam problemas de saúde de muito maior gravidade. Mas a hipocondria também pode se manifestar em quem não sente nada.

O SUS britânico (NHS, na sigla em inglês) criou um manual de autoajuda para quem sofre com o transtorno.

Se você responder "sim" à maioria das perguntas abaixo, é provável que você seja hipocondríaco e deva procurar ajuda médica.

Nos últimos seis meses...

1. Você se preocupou com a ideia de ter uma doença grave devido a sintomas que duraram por um longo período?

Segundo o NHS, "quando prestamos muita atenção em uma parte do corpo, tendemos a notar sintomas dos quais não tínhamos conhecimento antes, como protuberâncias".

Em outras palavras: quanto mais nos concentrarmos em uma área ou em um sintoma, maior é a chance de notá-los. A partir daí, começaremos a nos preocupar e vamos acabar nos autoexaminando com mais frequência.

As dores de cabeça, por exemplo, costumam ser apenas um sinal de estresse.

2. Essa preocupação gerou angústia?

Os hipocondríacos tendem a desenvolver preocupações desnecessárias sobre os sintomas que acham que estão tendo.

O NHS enumera quatro tipos de pensamentos que passam pela cabeça de quem está demonstrando ansiedade por causa de seu estado de saúde:

a) Aqueles que tiram conclusões infundadas

Exemplos:

"Se o médico me pediu para fazer esses exames, é porque está muito preocupado."

"Uma dor de cabeça como essa deve ser algo grave."

b) Os catastróficos

Exemplos:

"Isso é câncer."

"Isso poderia me matar em meses."

"Meus filhos ficarão sem mãe antes que comecem a escola."

c) Tudo ou nada

Exemplos:

"Se tenho qualquer sintoma é porque algo muito ruim está acontecendo comigo."

"Preciso fazer todos os testes possíveis - ou algo pode ficar de fora."

d) Os que se baseiam em uma lógica emocional

Exemplos:

"Sinto que há algo ruim comigo. Por isso, alguma coisa está errada."

"Se me preocupo por isso, então pelo menos estou preparado para o pior."

"Essa tensão deve ter como causa uma doença grave."

3. Você acredita que a preocupação teve um impacto negativo em todos os aspectos de sua vida, incluindo família, vida social e trabalho?

"As preocupações com a saúde se tornam um problema no momento em que nos impedem a levar uma vida normal - quando não há razão para pensar em algo seriamente ruim", diz o NHS.

O britânico Morgan Griffin, por exemplo, suspeitava de que tinha um problema e que precisava de ajuda médica quando foi jogar boliche com a mulher e os sogros.

Com frequência, ia ao banheiro. Mas não porque tinha um problema fisiológico ou porque tinha bebido muito líquido.

Griffin queria, na verdade, medir sua temperatura.

"Tinha um termômetro no meu bolso todo o tempo. Quando minha mulher descobriu, me disse para parar; por isso, passei a me esconder para poder medir minha temperatura - e fazia isso mais de 25 vezes por dia", conta ele, que assume ser hipocondríaco, à BBC.

Griffin diz temer que, se abdicar do hábito, manifestará a doença.

Ele acrescenta que sempre pensa "no pior".

4. Você está constantemente se autoexaminando e se autodiagnosticando?

Griffin media a temperatura 25 vezes por dia. Mas há pacientes que sentem que devem submeter-se a exames mais exaustivos.

Eles acreditam que fazê-los é a única maneira de confirmar que estão bem, justificando essa necessidade ao dizer que podem estar doentes e não saber.

Mas, segundo o NHS, não é recomendável fazer exames "o tempo todo" e que não há como sempre ter certeza de que você não está doente, pois doenças podem surgir a qualquer momento.

O sistema de saúde público britânico indica que, no caso de algumas pessoas, "buscar muita informação sobre uma doença pode incrementar suas preocupações e fazer com que se foquem em sintomas novos ou em outras áreas do corpo".

Outros pacientes fazem completamente o contrário: evitam tudo que tenha a ver com doenças. Por exemplo: trocam de canal quando um programa de saúde está começando ou passam rapidamente a página de uma revista quando uma reportagem fala sobre um transtorno em particular.

Algumas pessoas, inclusive, evitam fazer exercícios ou certas atividades físicas pelo temor de que possam ficar doentes. Outros tratam de permanecer em casa e ficar em repouso como se estivessem doentes.

"Isso pode provocar anemia ou até mesmo um aumento dos sintomas devido à falta de atividade física", indica o NHS.

5. Não acredita no diagnóstico de seu médico ou não está convencido quando ele diz que está tudo bem?

"Os médicos se equivocam com frequência" é um pensamento recorrente entre os hipocondríacos.

Outro argumento das pessoas que se preocupam em excesso com a saúde é o histórico médico de sua família, especialmente quando está relacionado a uma doença em particular.

Neste sentido, é bastante comum ficar ansioso por causa de uma doença. No entanto, trata-se de um comportamento prejudicial, porque, como explica o NHS, se o médico falou com o paciente e disse que está tudo bem, não há motivo para se preocupar com a saúde.

No caso de Griffin, ele acredita que a motivação está em sua infância.

"Meu pai morreu inesperadamente aos 43 anos. Sou uma pessoa racional, e por causa do que ocorreu, quis entender por que isso havia acontecido. Acreditava que havia sintomas que nos passaram despercebidos. Se tivéssemos nos dado conta deles, poderíamos ter evitado sua morte", explica.

6. Você precisa constantemente que os médicos, familiares e amigos o tranquilizem e lhe deem garantias de que está bem, incluindo quando não acredita no que estão dizendo?

É normal que, ao nos sentirmos preocupados, busquemos conforto em alguém em que confiamos. Mas no caso dos hipocondríacos, a necessidade de que buscar a todo momento essa validação é frequente e, em alguns casos, insaciável.

"O conforto funciona no início e faz com que os hipocondríacos se sintam um pouco menos preocupados", diz o NHS.

O problema é que a tranquilidade não dura muito e a preocupação acaba voltando.

"As pessoas podem desenvolver o hábito de pedir esse apoio o tempo todo. Isso mantém os sintomas presentes em suas mentes e, normalmente, faz com que se sintam pior", conclui o NHS.

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