Ataque em Las Vegas: o que se sabe sobre o mais letal tiroteio da história dos EUA

A polícia tenta descobrir o que levou um ex-contador que desfrutava de uma boa condição de vida a abrir fogo contra a plateia de um festival de música country em Las Vegas, deixando pelo menos 58 mortos e mais de 500 feridos no mais letal ataque do tipo na história moderna dos Estados Unidos.

Stephen Paddock, de 64 anos, disparou a partir de um quarto no 32º andar do hotel e cassino Mandalay Bay hotel contra as mais de 22 mil pessoas presentes no estavam no show no momento. Em nota oficial, o Itamaraty informou que "não há registro de brasileiros entre os mortos e feridos".

Paddock se matou quando a polícia se preparava para invadir sua suíte. Foram usados explosivos para derrubar a porta do quarto onde, segundo autoridades, havia 23 armas. Segundo o xerife de Las Vegas, Joe Lombardo, acredita-se que ele agiu como "lobo solitário" - como são chamados os ataques planejados e executados individualmente.

Paddock não tem passagens pelas Forças Armadas - episódios similares já foram protagonizados por ex-militares - ou antecedentes criminais. Ele foi identificado como morador da cidade de Mesquite, a 130 km de Las Vegas. A polícia informou que ele estava hospedado no Mandalay Bay desde o dia 28.

Um dos irmãos do atirador, Eric Paddock, disse à imprensa americana que seu pai chegou a ter seu nome na lista de mais procurados do FBI, a polícia federal americana.

De acordo com um boletim de 1969, Patrick Benjamin Paddock foi "diagnosticado como psicopata, responsável por transportar armas de fogo em roubos a banco" e "teria tendências suicidas e pode ser considerado muito perigoso quando armado".

O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico divulgou um comunicado por meio de sua da agência de notícias afirmando que estava por trás do ataque e que Paddock teria se convertido ao islamismo há alguns meses, se referindo a ele como um "soldado do califado" que esses jihadistas afirmam ter criado no norte da Síria e do Iraque.

Mas o grupo não apresentou provas disso e já fez declarações semelhantes no passado que se provaram falsas. Além disso, o perfil de Paddock não bate com os dos apoiadores tradicionalmente associados ao grupo extremista no passado, disse Mina al-Lami, que monitora grupos jihadistas para a BBC. O FBI disse não ter identificado "nenhuma conexão com organizações terroristas internacionais".

'Pura maldade'

Em pronunciamento na TV, o presidente americano Donald Trump chamou o ataque de "ato de pura maldade" e disse que Paddock era um "homem doente, demente" ao discursar na Casa Branca após a tragédia.

Trump afirmou que visitará Las Vegas na quarta-feira para falar com as famílias das vítimas e com a polícia local, a quem ele agradeceu pela "velocidade milagrosa" com que agiu. "Melania e eu estamos rezando por cada americano que foi ferido. Rezamos pelo dia em que o mal será banido e os inocentes serão salvos."

Dois de seus antecessores, Barack Obama e Bill Clinton, cujas administrações foram marcadas por políticas (ou tentativas) de controle na venda de armas, também usaram a plataforma para expressar seu pesar.

Clinton, que ocupou a Presidência entre 1993 e 2000, escreveu que "isso (o tiroteio) deveria ser algo inimaginável nos EUA". Obama, em cuja administração ocorreram diversos tiroteios em massa, classificou o incidente em Vegas como uma "tragédia sem sentido".

Pânico e correria

O ataque ocorreu por volta de 22h de domingo do horário local (2h de segunda-feira no horário de Brasília), quando o cantor Jason Aldean encerrava sua apresentação. Um vídeo mostra o momento em que são disparados os primeiros tiros e Aldean deixa o palco rapidamente.

Centenas de tiros foram disparados ao longo de dez minutos, gerando pânico enquanto as pessoas na plateia tentavam se proteger e deixar o local. Alguns voos foram desviados do aeroporto Las Vegas McCarran quando surgiram as primeiras notícias sobre o atentado, junto com relatos de outros pontos de ataque simultâneos na mesma avenida, que depois se provaram falsos.

Logan Cruz e Liberty Psesser, que estavam perto do palco, contaram que houve caos no momento dos tiros. "As pessoas saíram correndo em desespero e vimos muita gente se pisoteando", disse Cruz.

Sons gravados durante o ataque apontavam que teria sido usada uma arma automática, no entanto é possível que Paddock tenha usado acessórios considerados legais para modificar suas armas para fazer com que tivessem um desempenho próximo ao de armas automáticas.

Isso vai ao encontro dos mecanismos achados em seu quarto de hotel, que poderiam ser acoplados às armas para que elas disparassem centenas de tiros por minuto, informou a agência de notícias AFP.

'Estranho'

Paddock vivia em uma comunidade para idosos ao nordeste de Las Vegas. Ele morava com uma filipina-australiana chamada Marilou Danley, de 62 anos, que vive em Nevada há 20 anos. Ela estava no Japão no momento do atentado e aparentemente não está envolvida, disse a polícia após interrogá-la para averiguar se a mulher sabia dos planos de Paddock.

Eric Paddock a descreveu como "namorada" do seu irmão. Ele afirmou que a família ficou atordoada com o incidente. "Estamos estupefatos. Não entendemos o que aconteceu. Não faz nenhum sentido, não há nenhuma razão para ele ter feito isso."

Seu outro irmão, Bruce Paddock, disse à emissora NBC que o atirador era um investidor de imóveis multimilionário. Eric Paddock corroborou isso ao afirmar que Stephen ganhava dinheiro a partir dos apartamentos que havia comprado e gerenciava com a mãe, que mora na Flórida.

"Ele era apenas um cara que jogava pôquer, fazia cruzeiros e comia burritos. Ele mandava biscoitos para a mãe. Ele provavelmente não tinha nem multas por estacionar em lugar errado", disse Eric.

Stephen Paddock tinha brevê de piloto para aeronaves pequenas e licença de caça, além de uma ficha criminal totalmente limpa, segundo as autoridades.

Ex-vizinha dele, Diane McKay, de 79 anos, disse ao jornal americano The Washington Post que ele e sua namorada sempre mantinham as persianas da casa onde viviam fechadas: "Ele era estranho. Era como não viver ao lado de ninguém. Você pode até ser mal-humorado, ou algo do tipo. Ele não era nada, apenas quieto".

O xerife Lombardo disse que, após buscas na casa do atirador, foram encontradas "19 outras armas, alguns explosivos e milhares de balas, além de aparelhos eletrônicos" que estão sendo analisados. Em seu carro, foi achado o composto químico nitratro de amônio, usado em fertilizantes e para fazer bombas.

Segundo Eric Paddock, seu irmão gostava de frequentar cassinos em Las Vegas para assistir a shows e apostar. A polícia local disse à rede NBC que o suspeito gastou "dezenas de milhares de dólares" em apostas nos últimos dias.

Ainda não está claro se ele ganhou ou perdeu dinheiro - ou se as apostas têm relação com os disparos na noite de domingo. Não há indícios de que o atirador enfrentava problemas financeiros.

Vítimas

As autoridades não confirmaram ainda o nome de nenhuma das 59 vítimas fatais da tragédia contabilizadas até o momento, mas algumas estão sendo identificadas por seus conhecidos e familiares:

- Charleston Hartfield, militar e treinador de futebol de 34 anos;

- Sonny Melton, uma enfermeira de 29 anos;

- Denise Burditus, de West Virginia, casada e mãe de dois filhos;

- Sandy Casey, uma professora de educação especial de Manhattan Beach, na Califórnia;

- Chris Roybal, veterano da Marinha de 28 anos, do sul da Califórnia;

- Thomas Day, um construtor da Califórnia;

- Hannah Ahlers, uma paraquedista de 35 anos e mãe de três filhos;

- Angie Gomez, uma líder de torcida de Riverside, na Califórnia;

- Dana Gardner, de 52 anos, funcionária do distrito de San Bernardino;

- John Phippen, da Califórnia;

- Adrian Murfitt, pescador de salmão de 35 anos do Alasca;

- Dorene Anderson, uma dona de casa de 49 anos do Alasca;

- O canadense Jordan McIldoon, um aprendiz de mecânico de 23 anos;

- Jessica Klymchuk, assistente escolar e motorista de 34 anos od Canadá.

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