Líder catalão diz buscar independência, mas antes quer diálogo com a Espanha

O presidente catalão Carles Puidgemont anunciou na tarde desta terça-feira que "como presidente, quero seguir o desejo do povo catalão pela independência", mas propôs que o parlamento suspenda os efeitos da separação para reestabelecer o diálogo com o Estado espanhol.

Em um pronunciamento no próprio parlamento, Puidgemont falou sobre as consequências do polêmico referendo de cisão entre Catalunha e a Espanha, que ocorreu no último dia 1. Em um clima de manifestações separatistas e repressão da polícia espanhola, a maior parte dos votantes expressou o desejo de separação. O referendo, no entanto, não é reconhecido pela Espanha e teve participação de menos da metade (43%) do eleitorado.

Puidgemont disse que a Catalunha tem o direito de ser país e de ser respeitada, mas que está aberta para o diálogo. "Estamos sempre dispostos a conversar", afirmou.

"Nós não somos loucos, nós não somos rebeldes, nós somos apenas pessoais que querem votar", justificou-se, enquanto criticava duramente a reação repressiva da Espanha ao referendo.

Disse que quer trabalhar para a estabilidade econômica e para a segurança e defendeu diálogo e tolerância. Também disse que a única forma de progredir é com respeito à democracria. Puigdemont criticou o que chamou de atitude agressiva do governo espanhol em relação ao povo e à cultura da Catalunha e relembrou as 18 tentativas anteriores do governo catalão de fazer referendos, reprimidas pelo governo da Madri.

"A relação entre a Catalunha e a Espanha não tem funcionado por séculos e nada foi feito para resolver", disse.

Puidgemont afirmou que não estava planejando nenhuma ameaça ou insulto à Espanha, e que seu objetivo é diminuir a tensão que vem escalando nos últimos meses.

Puigdemont discursou para o parlamento regional da Catalunha, em Barcelona, com uma hora de atraso em relação ao horário esperado - o que pode indicar que houve uma mudança de planos de última hora ou uma tentativa de mediação internacional antes de sua fala.

O governo espanhol rejeitou o que chamou de "declaração tácita de independência", segundo a agência AFP.

Um porta-voz do governo de Madri disse que é "inaceitável fazer uma declaração tácita de independência para depois suspendê-la de maneira explícita".

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