Acusado de ataque em NY era calmo, mas teria se radicalizado nos EUA, diz membro de comunidade uzbeque

Sayfullo Saipov, o homem acusado de atropelar pedestres e ciclistas no sul de Manhattan, em Nova York, na tarde de terça-feira, teria se radicalizado depois de ir morar nos Estados Unidos, segundo um ativista uzbeque que o conheceu.

A polícia nova-iorquina afirmou que Saipov nunca havia sido alvo de qualquer investigação prévia por extremismo, mas agregou que, segundo o que se pôde apurar até agora, ele planejou o ataque durante semanas, seguindo instruções postadas nas redes sociais por membros do grupo autodenominado Estado Islâmico.

De acordo com as primeiras informações, Saipov, de 29 anos, é um imigrante do Uzbequistão, que teria chegado aos Estados Unidos em 2010 e se estabelecido na cidade de Tampa, na Flórida.

Antes disso, ele teria passado por Ohio, um dos Estados americanos que reúnem a comunidade uzbeque no país. Atualmente, são cerca de 70 mil pessoas do Uzbequistão vivendo nos EUA - a maioria em Nova York.

Saipov teria vivido em Ohio, na Flórida e em Nova Jersey até conseguir um green card, que o permitia trabalhar legalmente em território americano. Ele trabalhava como motorista de Uber.

O ativista religioso e blogger uzbeque baseado nos EUA Mirrakhmat Muminov conheceu Saipov - quer era casado e tinha três filhos. Muminov disse à BBC que ele se tornou agressivo depois de ter sido radicalizado no novo país.

Os dois se conheceram em Ohio logo depois que Saipov se mudou para os Estados Unidos.

"Ele não era muito educado e não tinha muito conhecimento do Alcorão antes de chegar aos EUA. Ele era uma pessoa normal."

Mas, segundo Muminov, Saipov ficou deprimido por estar longe de seu país, se isolou da comunidade e "se tornou mais ressentido e raivoso quando não conseguiu trabalho".

"Por causa de suas opiniões radicais ele discutia muito com outros uzbeques. Aí ele se mudou para a Flórida e perdemos contato", afirma.

Oito pessoas morreram e pelo menos onze ficaram feridas no ataque desta terça-feira, considerado pelas autoridades como o "ataque terrorista nos EUA com o maior número de mortos desde o 11 de setembro de 2001".

'Contente'

Saipov foi baleado pela polícia e detido após o atropelamento. No momento, encontra-se hospitalizado com ferimentos graves, segundo o comissário-chefe da polícia de Nova York, James O'Neill.

As investigações indicam que Saipov estava morando, nas últimas semanas, em Paterson, Nova Jersey, onde teria alugado a caminhonete usada no ataque.

Outro uzbeque, Kobiljon Matkarov, que conheceu Saipov na Flórida, relatou ao jornal americano The New York Times que "ele era uma pessoa muito boa quando o conheci. (...) Gostava dos Estados Unidos. Ele parecia muito feliz, estava o tempo todo contente, falava como se estivesse tudo bem. Não parecia um terrorista", acrescentou Matkarov.

O presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, disse ao presidente americano Donald Trump que seu país estava pronto para "usar todas as forças e recursos" para ajudar nas investigações do atentado. As autoridades do Uzbequistão ainda não confirmaram oficialmente, no entanto, a identidade ou nacionalidade do suspeito.

Em nota, o Uber confirmou que Saipov prestava serviço para a empresa e se declarou "horrorizado" com o ataque.

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