Os dois homens que perseguiram atirador e evitaram um massacre maior no Texas

Dois homens estão sendo tratados como heróis por perseguir o atirador que matou pelo menos 26 pessoas em uma igreja do Texas, nos Estados Unidos.

O ataque aconteceu por volta das 11h30 do domingo na Primeira Igreja Batista em Sutherland Springs, uma pequena comunidade de cerca de apenas 400 habitantes localizada nos arredores do município de San Antonio. Pelo menos 26 pessoas, com idades entre 5 e 72 anos, foram mortas e outras 20 ficaram feridas.

Em entrevista à rede de TV local Ksat.com, Johnnie Langendorff contou como a perseguição teve início.

"Cheguei ao cruzamento onde o tiroteio aconteceu. Vi dois homens trocando tiros, sendo um deles um cidadão da comunidade. Ele veio em direção ao meu caminhão com sua arma, explicou muito rapidamente o que tinha acontecido e entrou. Eu soube que era hora de ir."

Langendorff disse ter seguido o veículo do atirador a até 153 km/h, até que ele perdeu o controle do carro e bateu. "Nós levamos a polícia até ele", conta. "Todas as outras pessoas estavam indo para a igreja."

O atirador Devin Patrick Kelley, de 26 anos, foi encontrado morto no veículo. Ainda não está claro se ele cometeu suicídio ou se foi atingido por outras pessoas. Havia várias armas no carro.

A página do Facebook de Langendorff foi inundada de mensagens de agradecimento desde o tiroteio. Uma diz: "Deus te abençoe, Johnnie. Você é um verdadeiro herói americano".

Até a publicação desta reportagem, não tinham surgido detalhes sobre o homem que trocou tiros com o suspeito - e o perseguiu com Langendorff.

'Bom samaritano'

Freeman Martin, diretor regional do Departamento de Segurança Pública do Texas, afirmou a repórteres que Kelley primeiro foi atingido por um "bom samaritano", e aparentemente morreu durante a fuga, após atirar em si próprio.

"Não foi algo motivado por questões raciais, não foi motivado por crenças religiosas", acrescentou.

Segundo ele, o atirador, vestido de preto e com um colete à prova de balas, abriu fogo com um fuzil do lado de fora da igreja. Em seguida, entrou no prédio, dando sequência ao massacre.

Kelley havia sido condenado a um ano de confinamento pelo tribunal militar em 2012, após ser acusado de agredir a esposa e a filha. Em 2014, acabou demitido sob a justificativa de "má conduta", informou Ann Stefanek, porta-voz da Força Aérea dos EUA. Depois disso, passou a trabalhar como segurança.

De acordo com autoridades, ele discutiu com sua sogra antes do ataque. Ainda não está claro como obteve a arma usada no massacre - um fuzil - ou por que escolheu a igreja como alvo.

Segundo o governador do Texas, Greg Abbott, que classificou o ataque como o pior da história do Estado, estava claro que Kelley era "uma pessoa com tendências violentas". O governo havia negado a ele permissão para ter uma arma de fogo.

Em viagem pela Ásia, o presidente Donald Trump disse que as armas não são culpadas pelo tiroteio. "Temos muitos problemas de saúde mental em nosso país", afirmou.

'Comunidade pequena'

O morador Chris Speer conta que estava na varanda de casa com seu filho de 11 meses quando ouviu "cerca de 30 tiros".

"Seu primeiro instinto, quando você está no interior, é pensar que alguém está praticando tiro", diz. "Mas era muito próximo. Eu soube que havia algo errado."

Ele conta ter pegado seu filho e o levado para dentro de casa. "Se eu pudesse ter pegado minha arma, eu teria", afirma. "Mas quando você tem uma criança em seus braços, não pode correr o risco."

Speer conhecia muitas das vítimas. "Nós somos uma pequena comunidade. Estamos sempre juntos. Mas o que não nos mata nos torna mais fortes".

O pastor da Primeira Igreja Batista, Frank Pomeroy, contou à ABC News que sua filha de 14 anos, Annabelle, estava entre os mortos. Ele estava em outro Estado no momento do ataque.

Segundo as autoridades, 23 pessoas foram encontradas mortas dentro da igreja e duas do lado de fora. Outra morreu no hospital.

O tiroteio ocorre um mês após um homem armado abrir fogo contra uma multidão que estava em um festival de música em Las Vegas, matando 58 pessoas e ferindo centenas, naquele que foi o pior massacre a tiros da recente história dos EUA.

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