Vídeo 360: a impressionante jornada diária de duas irmãs para chegar à escola nos Himalaias

Vikas Pandey e Anna Bressanin - BBC News, Nova Déli

Radhika e Yashoda levam quase seis horas por dia para ir e voltar da escola. Elas vivem no topo das montanhas, em um vilarejo remoto dos Himalaias, e têm de fazer uma travessia perigosa sobre um rio para chegar ao colégio. Mas, para elas, estudar é prioridade.

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A travessia

Faz sol às cinco da manhã e as irmãs Radhika e Yashoda estão inclinadas na beira de uma sacada lavando seus rostos.

Elas brincam uma com outra e discutem sobre quem vai ganhar mais roti, pão achatado típico da Índia, no café da manhã.

Sua diversão dá poucas indicações de que em meia hora elas sairão, a pé, em uma perigosa jornada à escola.

É uma caminhada que vai levá-las a atravessar um terreno montanhoso, passar por densas florestas e atravessar um agitado rio.

Mas antes, elas visitam um templo hindu em Syaba, um vilarejo de 500 pessoas no Estado indiano de Uttarakhand, no norte do país. O sino invoca a proteção dos deuses.

As irmãs, de 14 e 16 anos, são duas de seis adolescentes que "viajam" diariamente de suas remotas casas a suas escolas.

Seu pai se despede com um sorriso e com preocupação.

Sua caminhada dura de duas a três horas por trajeto, dependendo do clima.

Mas é a única maneira de acessar as cidades de Maneri e Malla, onde fica a escola das meninas.

Não há estradas em direção a Syaba. Carregando seus livros e uma lancheira com o almoço ? curry de legumes e roti ?, as meninas pisam em uma trilha de pedras soltas.

Há muitas sanguessugas no caminho das irmãs. "Não tenho medo de nada", diz Radhika, a mais falante das irmãs. Yashoda é séria e quieta. As duas dizem amar o vilarejo e a natureza ao redor.

"Quando chove, vemos muitas cachoeiras nas montanhas. Se você vem da cidade, você fica hipnotizado pelas cachoeiras", diz Yashoda.

"As folhas de árvores caem durante o inverno, e parece que alguém estendeu um tapete de folhas para receber alguém importante no vilarejo."

No caminho para a escola, elas param para beber água de uma fonte de água cristalina que escorre da montanha.

Uma das partes mais difíceis da jornada está duas horas à frente: a travessia do rio Bhagirathi.

Ali, só podem chegar ao outro lado por meio de uma espécie de teleférico, cujas cordas puxam com as próprias mãos. O carrinho está suspenso sobre uma torrente.

É preciso muita força ? mais ainda quando chove e fica mais difícil puxar a corda. Ferimentos não são incomuns.

Habitantes do vilarejo já se machucaram ou até perderam dedos nos cabos.

"Temos que segurar com força no carrinho para não cair nas águas turbulentas", diz Yashoda.

Seu primo uma vez se enrolou em uma das cordas e caiu na água. Felizmente, foi salvo.

"Também temos que tomar cuidado com a graxa nos cabos ? nossas mãos ficam sujas de qualquer forma, mas tentamos proteger nossa roupa da graxa", diz Yashoda. "Nosso uniforme é branco, então as manchas ficam aparentes."

Quando chegam do outro lado do rio, esperam por um táxi que irá levá-las para a escola.

Florestas densas representam seu próprio perigo. Ursos e leopardos já foram vistos por vizinhos.

Há cerca de 200 vilarejos como Syaba nas montanhas de Uttarakhand ? ficam a cerca de 400 km de carro de Nova Déli.

Algumas são conectadas por estradas, mas a maioria só é acessível a pé.

Yashoda sonha em se tornar uma policial, enquanto Radhika está certa de que quer ser professora.

Nenhuma quer casar jovem, como seus pais fizeram. Ambas desejam continuar os estudos.

Quando seus familiares lhes emprestam celulares, Yashoda e Radhika tocam músicas de Bollywood e assistem ao contorno pixelado de atores dançando na tela.

Sua família não tem uma TV, mas um tio tem. Às vezes, a família toda se junta para assistir a programas televisivos.

É um sábado tranquilo quando a BBC planeja sua próxima gravação. Yashoda está sentada em sua cama escutando música do celular, enquanto Radhika enrola um lenço rosa em sua cabeça e começa a dançar.

"Temos muitos sonhos", diz Yashoda.

"Às vezes sonhamos com nosso irmão mais novo ? ele mora na cidade, em um albergue, e só o vemos durante o fim de semana. Outras vezes sonhamos com nossos fantasmas."

Vídeo 360

Produção:

Direção, roteiro, produção - Vikas Pandey, Anna Bressanin

Produtora executiva - Zillah Watson

Produção de campo - Nitin Ramola (Uttarkashi), Raju Gusain (Dehradun)

Memesys Culture Lab:

Diretor de fotografia - Rohan Raut

Assistente de câmera e som - Raj Samanta

Editor - Sreya Chatterjee

Agradecimentos a:

Os moradores de Syaba

Pramod Semwal

Uttarakhand Film Development Board

Junior High School, Malla

Government Inter College, Maneri

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