Estranhos lotam funeral de idosa que morreu sozinha aos 103 anos

Annie Wallace era uma das mais antigas moradoras de Milton, distrito no norte de Glasgow, na Escócia. Ela morreu no fim de dezembro, aos 103 anos.

Na falta de parentes vivos - Wallace já havia perdido o marido, o irmão e a sobrinha -, muitos estranhos se juntaram aos conhecidos e amigos da aposentada para o velório dela, ocorrido na semana passada em meio a uma nevasca.

Políticos e policiais da região também fizeram questão de comparecer, mesmo sem tê-la conhecido pessoalmente.

Quatro soldados da reserva de uma unidade militar local fizeram as honras e carregaram o caixão de Annie Wallace.

"Foi uma lição de humildade, foi inspirador ver tantos estranhos aparecendo aqui pela Annie", afirmou o líder comunitário Alex O'Kane, que discursou no funeral.

Na cerimônia, o reverendo Christopher Rowe, da paróquia local, contou que a conheceu quando ela tinha 94 anos. "Nunca parecia estar para baixo, estava sempre animada", recordou, lembrando que a idosa adorava cantar.

"Posso dizer com certeza que ela estava cantando no dia em que morreu. E que não houve um dia nos últimos 100 anos em que ela deixou de cantar", disse Rowe, que esteve com Wallace horas antes de sua partida.

Apelo

O chefe de polícia Craig Walker, que enviou dois agentes para o velório, elogiou a iniciativa da população local. "Acho fantástico que a comunidade se juntou pela Annie Wallace", afirmou.

Mas dificilmente tanta gente participaria do velório não fosse o apelo do reverendo Rowe, que pediu que a comunidade se unisse por uma pessoa "fácil de se amar, absolutamente incrível".

"Muita gente aqui nem sequer a conhecia. Isso é Milton em seu esplendor", disse o religioso, satisfeito em ver como a comunidade demonstrou gentileza e bondade.

Bom humor

Linda Henderson, da casa de repouso Ashgill era uma das pessoas que conheciam bem Wallace. "Ela era uma alegria", conta.

No velório, um vídeo de Wallace gravado em2005 mostra a aposentada contando piadas e histórias da vida dela.

As imagens arrancaram aplausos espontâneos dos estranhos e conhecidos.

Wallace nasceu em Glasgow em abril de 1914. O pai dela se alistou no exército em setembro daquele ano, semanas depois do início da Primeira Guerra. Ele sobreviveu à guerra, mas morreu quando a filha ainda era criança.

Durante a vida adulta, ela trabalhou em lojas. Casou-se, mas não teve filhos. Seu irmão teve uma filha, mas Annie Wallace foi a última da família a morrer.

"Não tenho dúvida de que ela está no céu, para sempre jovem, para sempre gentil, divertida e positiva", disse o reverendo Rowe.

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