PT vai manter candidatura de Lula ao Planalto após prisão, diz vice-presidente do partido

Ricardo Senra - Da BBC Brasil em Cambridge

Da BBC Brasil em Washington

  • Luis Cleber/ Estadão Conteúdo

    Alexandre Padilha (à esquerda), Lula e Eduardo Suplicy (à direita) em comício em 2014

    Alexandre Padilha (à esquerda), Lula e Eduardo Suplicy (à direita) em comício em 2014

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará como candidato do PT para a Presidência do Brasil, mesmo atrás das grades. "Não será o PT que vai retirar Lula das eleições", disse à BBC Brasil o vice-presidente nacional da sigla, Alexandre Padilha, em Boston, nos Estados Unidos.

"A lei estabelece que em agosto são registradas as candidaturas. O nome de Lula estará lá. Vamos seguir a lei e caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitora) avaliar esse registro. Lula continuará a ser nosso candidato, preso ou não".

Padilha veio aos Estados Unidos para participar da Brazil Conference, rodada de palestras organizada por alunos de Harvard e MIT.

Colega de Padilha, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, cotado como substituto de Lula na campanha, cancelou a viagem aos EUA após o pedido de prisão do ex-presidente petista. Haddad esteve com o ex-presidente no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Questionado pela reportagem sobre a baixa probabilidade de autorização da candidatura, Padilha se recusou a traçar plano B, mas recorreu a uma metáfora futebolística para afirmar que o partido não deve abrir mão de uma candidatura própria para apoiar pré-candidatos de esquerda como Guilherme Boulos (PSOL-SP) ou Manuela D'avila (PCdoB-RS)

"Querem que o PT tire o Pelé no início do campeonato. Nós queremos ter o Pelé até o final. Se cometerem uma injustiça, aí vamos decidir quem vai substituí-lo", afirmou. "O que posso dizer é que, mesmo sem Lula, o 13 continuará em campo".

"Hoje o PT tem 20% da preferência partidária. Depois, vêm PMDB e PSDB com 4% ou 5%. Temos o candidato favorito em todos os cenários. Lula está na frente, com cerca de 30%. Não vamos abrir mão disso".

Pedido de prisão

Menos de 24 horas depois de ter seu pedido de habeas corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente petista teve o pedido de prisão expedido pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pela execução penal de réus no caso Lava-Jato.

O despacho de Moro foi divulgado quase simultaneamente a uma coletiva de imprensa da defesa do petista, em que o advogado Cristiano Zanin Martins chegou a dizer que não via "risco nenhum de prisão".

A prisão não era esperada até meados da próxima semana, quando, em tese seriam avaliados os últimos recursos da defesa do petista em Porto Alegre. No despacho, no entanto, Moro considerou não haver necessidade de aguardar pela resolução de tais apelações.

"Hipotéticos embargos de declaração de embargos de declaração constituem apenas uma patologia protelatória e que deveria ser eliminada do mundo jurídico", escreveu o juiz.

Para Padilha, "um juiz classificar um recurso de um cidadão como perfumaria é a maior demonstração de seu desprezo ao que está na lei, na Constituição, no Código do Processo Civil".

Em seu despacho, o juiz Moro justifica a prisão do petista com base na decisão do STF de 2016, que permitiu o início do cumprimento de pena por réus que já tenham condenação confirmada em segunda instância. Em janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou a condenação de Lula dada por Moro e aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão.

Supremo Tribunal Federal

O vice-presidente do PT diz que a Suprema Corte "rasgou a Constituição brasileira" ao permitir a prisão do ex-presidente sem que se esgotassem os recursos.

Padilha ainda classificou o voto a favor de Lula do ministro Gilmar Mendes, frequentemente associado por petistas ao PSDB ou ao PMDB, como um "voto de coerência". "O maior adversário de Lula dentro do STF, Gilmar, votou a favor do habeas corpus. Isso só reforça os argumentos da defesa", afirmou.

Sobre o voto de Luís Roberto Barroso, que de outro lado é tido como um juiz progressista, defensor de ideas que agradam à esquerda, Padilha afirmou que foi "incorreção absurda". "Ele colocou Lula na mesma posição de estupradores, criminosos, presos em flagrante ou que representam risco à sociedade", afirmou. "Ele deveria se candidatar ao Congresso se quer mudar a Constituição."

Fuga

Para Padilha, Lula não decidiu fugir, ou se abrigar em na embaixada de algum país que defenda seu legado político, porque "quer representar todos os presos injustamente no Brasil".

"Ele não quis se utilizar da facilidade que teria, com seu reconhecimento internacional, para se diferenciar de outros presos injustamente", afirmou. "Ele quer se apresentar aqui e vamos defendê-lo até o fim".

Segundo o vice-presidente do PT, Lula continuará participando das articulações políticas do partido, mesmo na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. "Você pode prender uma pessoa, mas não prende ideias. Ele vai continuar muito ativo, pela figura que é e pelas ideias que defende. Não há plano B. Lula é o plano A e vai ser presidente do Brasil", afirmou.

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