Em cúpula histórica, Coreias prometem trabalhar por desnuclearização e fim do conflito

Os líderes da Coreia do Norte e do Sul concordaram em trabalhar para livrar a península de armas nucleares, após um encontro de cúpula histórico entre os dois países realizado nesta sexta-feira.

Os dois também concordaram em um esforço para transformar o armistício que encerrou a Guerra da Coreia em 1953 em um tratado de paz este ano.

Os anúncios foram feitos pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, e pelo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, após conversas no lado sul-coreano da fronteira.

O encontro entre os dois ocorreu após um longo período de tensão reforçado pela retórica bélica da Coreia do Norte.

Detalhes de como a desnuclearização seria alcançada não foram divulgados, e muitos analistas continuam céticos em relação ao aparente entusiasmo do Norte para o diálogo.

Outros pontos que os líderes concordaram em uma declaração conjunta foram:

  • Fim às "atividades hostis" entre as duas nações
  • Transformação da zona desmilitarizada que divide os países em uma "zona de paz", interrompendo transmissões de propaganda
  • Redução de armas na região enquanto se aguarda o alívio da tensão militar
  • Pressionar por negociações de três vias envolvendo os EUA e a China
  • Organizar um reencontro de famílias separadas pela guerra
  • Conectar e modernizar ferrovias e estradas através da fronteira
  • Mais participação conjunta em eventos esportivos, incluindo os Jogos Asiáticos deste ano

Primeiro encontro desde 2007

Esta foi a primeira vez que um líder norte-coreano pisou em solo sul-coreano. Mas não é a primeira vez que líderes dos dois países se encontram.

O pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, se reuniu com presidentes da Coreia do Sul em duas ocasiões: com Kim Dae-jung, em 2000, e com Roh Moo-hyun, em 2007. Os dois encontros ocorreram em Pyongyang, capital da Coreia do Norte.

Os Estados Unidos seguiram de perto o encontro desta sexta-feira na Coreia do Sul. O encontro entre os dois líderes é visto como uma preparação para um prometido encontro entre Kim e o presidente americano, Donald Trump, ainda sem data e lugar definidos.

A Casa Branca afirmou em um comunicado que espera que a reunião desta sexta signifique um progresso para "um futuro de paz e prosperidade", e manifestou que o governo americano deseja continuar as negociações para o possível encontro entre Trump e Kim "nas próximas semanas".

Prato suíço em homenegam a Kim

Os líderes das duas Coreias foram recebidos por uma guarda de honra usando roupas típicas, no lado sul-coreano, e caminharam até a Casa da Paz em Panmunjom, um complexo militar na zona desmilitarizada entre os países.

Kim então convidou o presidente sul-coreano a passar rapidamente pela linha de demarcação na Coreia do Norte, antes que voltassem para o lado da Coreia do Sul. Durante todo o tempo, eles permaneceram de mãos dadas.

O momento foi aparentemente um improviso durante uma seqüência de eventos altamente coreografada.

Quando a primeira reunião terminou, a dupla se separou para o almoço e Kim retornou ao norte em uma limusine preta cercada por seguranças.

Quando retornou à tarde, os dois participaram de uma cerimônia que consistia no plantio de um pinheiro usando terra e água dos dois países.

Os dois presidentes escavaram o solo na raíz da árvore e revelaram um marcador de pedra com seus nomes, títulos oficiais e uma mensagem onde se lia: "Plantando paz e prosperidade".

À noite, os dois participariam ainda de um banquete no lado sul, com o prato suíço Rösti , à base de batatas, - em homenagem ao tempo que Kim passou estidando na Suíça - junto com macarrão frio e um licor, ambos típicos norte-coreanos.

Kim chegou para as discussões históricas nesta sexta-feira acompanhado por nove autoridades, incluindo sua poderosa e influente irmã Kim Yo-jong.

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