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Depois das Filipinas, a China: o rastro de destruição e morte deixado por tufão na Ásia

16.set.2018 - Mulher corre para fugir do tufão Mangkhut, em Shenzen, na China - REUTERS/Jason Lee
16.set.2018 - Mulher corre para fugir do tufão Mangkhut, em Shenzen, na China Imagem: REUTERS/Jason Lee

17/09/2018 08h13

O tufão que deixou mais de 60 mortos e provocou destruição por onde passou nas Filipinas chegou à China no domingo, causando danos a Hong Kong e à província de Guangdong, uma das mais populosas do país.

Equipes de resgates estão mobilizadas em operações de busca e de retirada de pessoas da rota do Mangkhut, considerado o mais poderoso tufão dos últimos 40 anos a atingir a região.

O fenômeno foi rebaixado à categoria de tempestade tropical nas últimas horas - ainda assim, há registro de pelo menos duas mortes em Guangdong, onde 2,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

O tufão agora se movimenta para o interior do país e deve atingir as regiões de Guizhou, Chongqing e Yunnan nesta segunda.

Em Hong Kong, árvores foram derrubadas, andaimes foram ao chão e prédios comerciais tiveram janelas quebradas. Os serviços de transporte também foram suspensos, com mais de 900 voos cancelados, trens parados e rodovias fechadas.

O tufão fez arranha-céus balançarem e deixou muitos vidros quebrados em Hong Kong - Anthony WALLACE / AFP
O tufão fez arranha-céus balançarem e deixou muitos vidros quebrados em Hong Kong
Imagem: Anthony WALLACE / AFP

Estima-se que mais de 200 pessoas tenham ficado feridas na passagem do tufão por Hong Kong, onde o nível das águas subiu quase 3,5 metros em alguns pontos.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram ondas gigantes atingindo prédios e pessoas sendo arrastadas na rua pela força do vento.

Ventos acima de 110 km/h em Hong Kong fizeram balançar até mesmo arranha-céus.

Uma moradora disse à agência Reuters que o prédio onde vive balançou por duas horas. "Me fez ficar tonta", afirmou Elaine Wong.

As Filipinas, país que registrou o maior número de mortos até o momento, sofreram com deslizamentos e enchentes. No município de Itogon, na província de Benguet, um deslizamento atingiu uma mina, deixando 33 mineiros mortos e outros 29 desaparecidos.

As operações de busca e resgate continuam no país, onde, na sexta-feira, o tufão chegou com ventos de até 255 km/h.

Milhares de pessoas foram transferidas para abrigos temporários. Segundo o prefeito de Itogon, Victorio Palangdan, o número de mortos pode ser muito maior que as 65 mortes registradas até o momento nas Filipinas em decorrência do tufão.

O correspondente da BBC News Howard Johnson relata o rastro de destruição ao longo de toda a costa norte de Luzon - a maior ilha das Filipinas, onde está localizada a capital, Manila -, com árvores derrubadas e postes de eletricidade arrancados.

Bombeiros enfrentam inundações durante operação de resgate na passagem em Macau - ISAAC LAWRENCE / AFP
Bombeiros enfrentam inundações durante operação de resgate na passagem em Macau
Imagem: ISAAC LAWRENCE / AFP

Mangkhut é a 15ª tempestade a atingir o país neste ano.

O governo filipino se preocupa com o prejuízo que o tufão vai causar à economia. Além dos custos de reconstrução, será preciso recuperar áreas de plantio atingidas, como em Cagayan, uma importante província agrícola.

Francis Tolentino, assessor político do presidente Rodrigo Duterte, disse à BBC que estima que apenas um quinto dos produtos havia sido colhido antecipadamente, o que pode comprometer o abastecido de alimentos como arroz e milho.

Apesar dos danos, os procedimentos de preparação para desastres climáticos melhoraram nas Filipinas, desde que o super-tufão Haiyan fez mais de 7,3 mil vítimas, entre mortos e desaparecidos.

Alertas foram emitidos; viagens, limitadas; escolas, fechadas; e o Exército ficou a postos para atender vítimas de enchentes e deslizamentos.

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