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Internacional

O drama da mãe que passou meses tentando entrar nos EUA para ver filho que está morrendo

18/12/2018 14h04

Shaima Swileh conseguiu um visto para viajar aos EUA nesta semana e deve chegar ao país nesta quarta

"Ela só quer segurar a mão dele pela última vez."

A declaração é de Ali Hassan, pai de Abdullah Hassan, um menino de 2 anos que nasceu com uma doença neurológica rara à qual, segundo os médicos, ele não vai sobreviver.

Hassan se refere ao desejo da esposa, Shaima Swileh, natural do Iêmen, de visitar o filho, que tem cidadania americana e está internado nos EUA. Shaima conseguiu um visto especial nesta terça (18) para visitar a criança, depois de meses tentando sem sucesso sem entrar nos Estados Unidos.

Ela havia sido barrada por causa do veto migratório imposto em 2017 pelo presidente americano, Donald Trump, que impediu a entrada cidadãos de diversos países de maioria islâmica. Graças ao visto, ela deve conseguir ver o filho nesta quarta-feira.

Abdullah - diagnosticado com hipomielinização, doença que afeta a capacidade de respirar - está internado em um hospital de Oakland, na Califórnia, desde outubro. De acordo com a imprensa local, ele e o pai são cidadãos americanos.

Swileh deve ver o filho pela última vez antes de desligarem os aparelhos que o mantêm vivo.

"Isso vai nos permitir passar pelo luto com dignidade", disse Hassan.

O que é o veto migratório

Pouco depois de assumir o cargo, Trump impôs restrições à entrada em território americano de cidadãos de uma série de países - quase todos, de maioria muçulmana.

O decreto passou por várias alterações antes de ser validado em junho deste ano pela Suprema Corte.

O veto migratório proíbe a entrada no país de cidadãos de Irã, Coreia do Norte, Venezuela, Líbia, Somália, Síria e Iêmen.

No caso da Venezuela, as restrições se limitam a quem trabalha para o governo e suas famílias.

'Incompreensivelmente cruel'

Para Saad Sweilem, do Conselho das Relações Americano-Islâmicas, que defende a união da família, impedir que a mãe de Abdullah entre no país seria "incompreensivelmente cruel".

O pai do menino nasceu na Califórnia, mas conheceu a esposa no Iêmen, onde tiveram sete filhos.

Quando Abdullah tinha oito meses, a família se mudou para o Cairo, no Egito, fugindo da guerra civil no Iêmen.

Em outubro, Hassan levou o filho para os Estados Unidos para fazer um tratamento, com a expectativa de que a mulher se juntasse a eles depois.

Mas depois que os médicos informaram que a condição da criança era terminal, a família solicitou um visto para que ela viajasse com urgência para os Estados Unidos.

Eles contam que receberam uma carta de rejeição do Departamento de Estado americano citando o veto migratório de Trump - resposta repetida diversas vezes apesar dos outros pedidos da família.

A situação só mudou após o caso receber atenção da mídia e o pai ir à TV fazer um pedido desesperado às autoridades americanas.

Então a embaixada americana em Cairo, no Egito, emitiu um visto para Shaima, que estava no país enquanto aguardava para tentar viajar aos EUA,

O Departamento de Estado americano não quis discutir o caso especificamente devido às leis de confidencialidade.


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