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As boas e as más notícias que as urnas dão a Justin Trudeau, reeleito premiê do Canadá

Chris Wattie/Reuters
Imagem: Chris Wattie/Reuters

Jessica Murphy - Da BBC News em Montréal

22/10/2019 17h42

Primeiro-ministro terá governo de minoria, os quais tendem a ter curta duração no país; mas sua política ambiental deve ganhar novo fôlego.

As eleições do Canadá, realizadas na segunda-feira (21/10), trouxeram boas e más notícias para o premiê Justin Trudeau, que conseguiu manter-se no poder, mas por uma margem muito pequena, resultando em um governo de minoria.

As urnas mostram um país bastante dividido: os conservadores, embora derrotados, venceram o voto popular, e o separatista Bloco Quebecois avançou na Província de Québec.

O Partido Liberal, de Trudeau, conquistou 156 dos 338 assentos em disputa, distante dos 170 necessários para governar com maioria ? ou seja, o premiê dependerá do apoio do Novo Partido Democrático (NDP), à esquerda, para conseguir aprovar leis futuras.

A seguir, a BBC explica como o resultado impacta Trudeau e seu partido.

Ele continua premiê...

Depois de uma eleição duramente disputada, quando as projeções dos resultados eleitorais começaram a apontar para uma pequena vantagem dos liberais, apoiadores de Trudeau respiraram aliviados.

"Os liberais se saíram melhor do que pensávamos", afirmou Brian, simpatizante do premiê que participou da festa de celebração do partido em Montréal.

A ex-parlamentar liberal Marlene Jennings opinou que os eleitores "mostraram que ainda confiam no governo liberal e em Justin Trudeau e definitivamente não querem um governo conservador, nem mesmo um de minoria".

... mas sua popularidade está abalada

Trudeau teve uma "lua de mel" relativamente longa com o eleitorado canadense, mas sua popularidade vinha em queda, mesmo antes da campanha eleitoral.

Um dos primeiros episódios relacionados a isso foi uma visita dele à Índia, em fevereiro de 2018, considerada pela mídia canadense um "desastre total", uma vez que o premiê foi esnobado por autoridades indianas de alto escalão e, em casa, ridicularizado pelo público pelo excesso de roupas típicas que usou durante a viagem.

Depois, veio um escândalo relacionado a tentativas de pressionar uma ex-procuradora-geral a fechar um acordo com uma empresa acusada de corrupção ? o que também afetou a percepção do público quanto a Trudeau.

A ex-procuradora, Jody Wilson-Raybould, foi expulsa do Partido Liberal por Trudeau, mas ela acabou concorrendo ? e sendo eleita ? ao Parlamento canadense como independente.

Raybould, que é uma forte crítica do premiê e vai atuar como "lembrete" do escândalo durante seu mandato na Câmara dos Comuns.

Por fim, a revelação de que Trudeau usou "blackface" ? pintura facial vista como uma caricatura racista ? em ao menos três ocasiões abalou a campanha liberal e forçou o premiê a pedir desculpas.

Os liberais perderam no oeste, e os separatistas avançaram

As províncias de Alberta e Saskatchewan, no oeste, foram totalmente dominadas pelos conservadores, com a exceção da cidade de Edmonton, que é bastião do Novo Partido Democrático.

Essa onda ajudou os conservadores a pularem de 95 para 122 assentos no Parlamento, além de solidificar a percepção, no oeste canadense, de que o governo central não representa seus interesses.

Além disso, os conservadores tinham uma leve vantagem no voto popular: 34,5% (na contagem até a manhã desta terça) contra 33% dos liberais. Embora isso não tenha se traduzido em uma maioria de assentos no Parlamento, o líder conservador Andrew Scheer afirmou que os resultados mostram que "os canadenses queriam a nossa vitória mais que a de qualquer outro partido".

Outra má notícia para Trudeau é que os separatistas do Bloco Quebecois avançaram nesta eleição.

Depois de dois pleitos em que o partido ? defensor da soberania da Província de Québec ? foi um pouco esnobado pelos eleitores, desta vez seu número de assentos subiu de 10 para estimados 32.

Trudeau ainda consegue governar com minoria

O premiê conseguirá, numericamente, governar, mas para avançar com sua agenda progressista, ele dependerá do apoio de outros partidos, como o NDP, no Parlamento.

Esse apoio terá seu preço: o líder do NDP, Jagmeet Singh, já fez uma lista de exigências, pedindo a Trudeau medidas como mais impostos sobre as grandes fortunas do país.

Ao mesmo tempo, governos de minoria costumam ter prazo de validade pequeno no Canadá: em média, duram cerca de um ano e meio a dois anos, bem menos do que os quatro anos previstos para o mandato.

Política climática de Trudeau sobreviverá

Durante a campanha, os conservadores prometeram derrubar uma das principais bandeiras de Trudeau, sua política climática, caso ascendessem ao poder.

Com o resultado das urnas, essa política sobreviverá, entre elas um imposto federal sobre emissões de carbono (imposto sobre quatro províncias que ainda não tinham controle próprio sobre as emissões).

Acredita-se que outros partidos, como o NDP, o Bloco Quebecois e os verdes também devam apoiar medidas do tipo no Parlamento.

"Vocês nos pediram para demonstrar ainda mais visão e ambição no combate ao maior desafio desta era: a mudança climática", disse Trudeau aos eleitores em seu discurso de vitória. "É exatamente isso que faremos."


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