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Bolsonaro na Índia: em 7 pontos, como o Brasil se compara ao país asiático em indicadores econômicos e sociais

24/01/2020 16h29

Presidente Jair Bolsonaro faz visita oficial à Índia, onde se encontrará com o primeiro-ministro e chefe de governo indiano, Narendra Modi.

Se no início dos anos 2000 o Brasil e a Índia foram considerados promessas de economias que cresceriam muito, hoje se sabe que o crescimento econômico brasileiro não fez jus às expectativas.

Duas décadas depois, a expectativa para este ano é que o Brasil cresça três vezes menos que a Índia. Mas como estão outros indicadores econômicos e sociais?

No momento em que o presidente Jair Bolsonaro faz visita oficial à Índia, a BBC News Brasil traz a comparação dos dois países em 7 pontos, com índices que medem o desempenho dos países em diferentes áreas.

1) Crescimento econômico

A Índia deve crescer mais que o Brasil e que a média do mundo em 2020. Segundo a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB brasileiro deve terminar este ano com um crescimento de 2% e o indiano, de 7%. No mesmo período, o mundo deve crescer 3,4%, segundo a instituição.

Os dados dos últimos anos mostram que essa distância no crescimento não é novidade. Em 2018, por exemplo, o Brasil cresceu 1,1% e a Índia, 6,8%.

De 1998 a 2008, só houve dois anos em que o Brasil cresceu mais que a Índia: 2000 e 2008, segundo dados compilados pelo Banco Mundial. O gráfico abaixo mostra o crescimento da economia nos dois países nos últimos 20 anos.

Quando o tamanho do PIB é dividido pela quantidade de pessoas no país, no entanto, o Brasil sai bem na frente.

A população brasileira (209 milhões) é seis vezes menor que a população da Índia, de mais de 1,3 bilhão de pessoas.

Nos mesmos 20 anos (1998 a 2008), o PIB per capita do Brasil esteve sempre acima do indiano, conforme mostra o gráfico do Banco Mundial, que compara o PIB per capita dos dois países em dólares:

2) Comércio exterior

Os dados sobre comércio exterior mostram que a economia da Índia é mais aberta que a brasileira.

No Brasil, as exportações e importações foram o equivalente a 29% do PIB em 2018; na Índia, esse índice foi de aproximadamente 43%.

O gráfico abaixo, com dados compilados pelo Banco Mundial, mostra quanto o comércio exterior representa em percentual do PIB de cada um dos países:

3) Expectativa de vida

Conforme tem acontecido no mundo todo, a expectativa de vida ao nascer aumentou tanto na Índia quanto no Brasil nos últimos 20 anos.

Nesse quesito, no entanto, o Brasil vence da Índia. O dado mais recente (2017) mostra que, ao nascer, um brasileiro tem expectativa de vida cerca de seis anos maior que a de um indiano. Para o Brasil, são pouco mais de 75 anos e, na Índia, 69 anos.

4) Desenvolvimento humano

O Brasil tem um índice de desenvolvimento mais alto que a Índia, segundo relatório de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

No ranking de 189 países classificados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil aparece na posição 79 (com IDH de 0,761 em 2018). A Índia ficou na posição 129, com IDH de 0,647 no mesmo período.

Esse indicador vai de zero a um e, quanto mais alto o número, maior o desenvolvimento humano. O índice mede o progresso dos países em três áreas: renda, saúde e educação.

No topo do ranking, estão Noruega e Suíça, que são classificados com IDH "muito alto".

No fim da lista, com IDH baixo, aparecem nas piores posições a Nigéria e a República Centro-Africana.

5) Concentração de renda

O Brasil e a Índia empatam na concentração de renda dos 10% mais ricos, segundo o relatório de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2019.

Nos dois países, a parcela dos 10% mais ricos da população concentra 55% do total da renda (quando são consideradas todas as formas de renda, não apenas as respostas nas pesquisas domiciliares).

Com uma concentração ainda maior que Brasil e Índia, aparecem o Oriente Médio (61%) e a África Subsaariana (57%). Na Europa, por exemplo, esse índice é de 34%.

Considerando a renda de toda a população de 2000 a 2018, o crescimento no Brasil foi de 5% e o da Índia, muito maior: 122%.

Quando olhamos para a parcela mais pobre da população, no entanto, a evolução no Brasil foi melhor que a da Índia.

O relatório mostra quanto cresceu a renda dos 40% mais pobres em comparação ao crescimento total da renda no país. No Brasil, a renda desse grupo cresceu 14 pontos percentuais acima da média entre 2000 e 2018. Na Índia, a renda dos 40% mais pobres cresceu 64 pontos percentuais abaixo do crescimento médio no mesmo período.

6) Educação

Uma das formas de medir o acesso à educação é a quantidade de pessoas na escola, dividida pela população que oficialmente deveria estar nessa etapa de ensino.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) compilados pelo Banco Mundial mostram que o Brasil e a Índia aparecem muito próximos na comparação de matrículas no ensino primário ? etapa que, no Brasil, corresponde aos anos iniciais do ensino fundamental (de 1º a 5º ano).

É a educação primária, segundo a Unesco, que "tem o objetivo de fornecer aos alunos uma educação básica sólida em leitura, escrita e matemática, bem como uma compreensão elementar de temas como história, geografia, ciências naturais, ciências sociais, artes e música".O Brasil aparece com um índice de 115% e a Índia, com 112%. O número passa de cem porque, por esse cálculo bruto, também são considerados os alunos que, em teoria, já passaram da idade de estar naquela etapa de ensino ? como um adulto cursando o ensino primário, por exemplo.

7) Emissões de CO2

A emissão de gás de efeito estufa vem crescendo em ritmo mais acelerado na Índia do que no Brasil.

A emissão de CO2 na Índia (2,238 milhões de quilotoneladas) é mais de quatro vezes maior que a do Brasil (529 mil quilotoneladas), segundo dados de 2014.

No entanto, como a população indiana é seis vezes maior que a brasileira, quando esse valor é comparado ao tamanho da população, a proporção de emissão no Brasil por habitante é maior.

Veja no gráfico do Banco Mundial a evolução da emissão de CO2 de 1998 a 2014 (dado mais recente disponível):

A grafia da palavra Brasil aparece como Brazil nos gráficos pois eles foram extraídos da página do Banco Mundial, em inglês.


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