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Coronavírus

100 mil mortos: covid-19 já fez mais vítimas no BR do que homicídios, acidentes de trânsito e diabetes em um ano

Arte sobre cuidados com o coronavírus - BBC
Arte sobre cuidados com o coronavírus Imagem: BBC

Camilla Costa e Cecilia Tombesi

BBC News Brasil em Londres

08/08/2020 18h11

As mortes causadas pelo novo coronavírus também já superam as por demência, doenças hepáticas e doenças renais, mas total pode ser muito maior por causa da subnotificação, como apontam diversos estudos.

Em pouco mais de cinco meses de pandemia no Brasil, ja morreram mais pessoas por causa da covid-19 do que por homícios, acidentes de trânsito e diabetes em todo o ano de 2017, de acordo com os dados mais recentes disponíveis sobre as causas de óbito mais frequentes no país.

O Instituto de Métricas e Avaliações de Saúde (IHME, na sigla em inglês), um centro de estudos americando sediado nos Estados Unidos, aponta que, naquele ano, 63.835 brasileiros foram assassinados, 56.474 faleceram por causa de diabetes e 46.282 perderam a vida em acidentes de trânsito.

As mortes causadas pelo novo coronavírus também já superam as por demência (73.419), doenças hepáticas (36.269) e doenças renais (35.350).

Os dados de 2017 são os mais recentes disponíveis no estudo Global Burden of Disease (Fardo Global das Doenças, em tradução livre), feito pelo IHME, um dos mais completos produzidos sobre o tema.

O estudo contabiliza as mortes por 282 tipos de doenças e ferimentos em 195 países e territórios.

Subnotificação

Qualquer comparação, no entanto, é prejudicada pela subnotificação dos casos de covid-19, um problema que acontece em todos os países, em maior ou menor grau.

No Brasil, projeções feitas por grupos de pesquisa em universidades diferentes dizem que o número de casos reais de covid-19 pode ser de 12 a 16 vezes maior do que o número oficial.

Em muitos países, os registros oficiais de mortos contam apenas aqueles que falecem em hospitais ou que tiveram resultado de exame positivo para o vírus.

Mortes sem diagnóstico preciso e as que ocorreram em casa ou em casas de repouso para idosos, por exemplo, nem sempre entram nas estatísticas imediatamente.

Além disso, especialistas em análise de dados alertam para o "efeito transbordamento" que a covid-19 pode ter sobre as causas de morte mais comuns, como câncer e doenças cardiovasculares.

"O que chamamos de efeito transbordamento é o fato de que a pandemia de covid-19 está tendo um impacto enorme em outras causas de morte. Por exemplo, na redução do financiamento para a pesquisa de tratamentos de malária, na nutrição e na pobreza, especialmente em países menos desenvolvidos", disse à BBC News Brasil Hannah Ritchie, chefe de pesquisa do projeto Our World in Data, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

"Além disso, em muitos países há pessoas sem receber tratamento para o câncer ou para doenças cardiovasculares por causa das quarentenas e da sobrecarga dos sistemas de saúde", afirma.

Segundo Theo Vos, do IHME, o efeito transbordamento da pandemia em outras causas de morte ainda é "modesto", de acordo com os poucos dados disponíveis em tempo real.

"No longo prazo, acredito que o impacto da pandemia, interrompendo serviços de saúde e fazendo muitas pessoas entrarem na pobreza se refletirá muito na mortalidade."

"Só que esse efeito indireto da covid-19 nas mortes não vai aparecer nos atestados de óbito. Por isso, só vamos conseguir medi-lo no futuro e ainda estamos tentando encontrar maneiras de quantificá-lo", conclui.

*Com reportagem de Camilla Costa e Cecilia Tombesi, da BBC News Brasil em Londres.



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