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Morre Diego Maradona: 5 momentos inesquecíveis da carreira do jogador argentino

26/11/2020 07h01

Gols contra goleiros lendários, desafio contra a lei da gravidade, a 'jogada do século' e outras pérolas do jogador argentino que morreu em 25/11.

Talvez o relato mais conhecido do "gol do século" de Maradona contra a Inglaterra seja o do jornalista uruguaio Víctor Hugo Morales.

Depois que Maradona driblou o time inglês desde o meio de campo e definiu com o gol vazio, o narrador afirma sem pestanejar que aquela foi "a maior jogada de todos os tempos" e pergunta de que planeta o jogador veio.

Mas esse gol, considerado uma espécie de vingança argentina após a guerra das Malvinas, não é obviamente a única jogada inesquecível do camisa 10 argentino, morto em 25 de novembro, ao longo de mais de duas décadas de carreira no futebol.

Lembramos alguns episódios marcantes que Diego estrelou no gramado.

1. Os quatro gols na lenda Gatti

Hugo Orlando Gatti é um lendário goleiro do Boca Juniors, time ao qual Maradona declarou seu amor eterno desde muito jovem e com o qual se sagrou campeão em 1981.

No entanto, pouco antes de tudo isso, o chamado "garoto de ouro" marcou quatro gols contra o futuro time do coração defendendo a camisa do Argentinos Juniors, clube com o qual ele entrou para o futebol profissional.

Aconteceu no início dos anos 1980 e existem centenas de relatos sobre esse jogo.

https://www.youtube.com/watch?v=-wfp8MaBo0A

Em sua autobiografia "Eu sou o Diego do povo", Maradona lembra que ouviu dizer que Gatti o havia chamado de "gordinho" e por isso prometeu marcar quatro gols.

Loco Gatti disse várias vezes que não usou esse termo para falar de Maradona e explicou que apenas mencionou que achava que ele tinha tendência a ganhar peso, mas era tarde demais.

O garoto de apenas 20 anos marcou quatro gols e, sem quase ninguém imaginar, foi assim que começou o amor dos torcedores do Boca por aquele canhoto irreverente.

2. A vez do goleiro Fillol

Gatti não foi o único goleiro lendário que sofreu com Maradona.

Ubaldo Matildo Fillol, campeão mundial com a Argentina em 1978, também foi alvo do talento letal que o camisa 10 exibiu em campo.

Aquele Boca Juniors 3 x 0 River Plate em abril de 1981 foi um dos marcos do único campeonato que Maradona venceu na Argentina.

E o gol do jogador foi a pérola daquela noite.

O consagrado goleiro do River viu como o 10 baixou a bola do alto com a perna esquerda e não conseguiu antecipar o drible que o deixou no chão, observando de perto como o menino nascido em Villa Fiorito empurrou a bola para as redes e levar o mítico estádio da Bombonera ao delírio.

3. A revanche

O escritor argentino Eduardo Sacheri, autor do romance que inspirou o filme vencedor do Oscar O Segredo de Seus Olhos, contou como foi aquela tarde em que a Argentina derrotou a Inglaterra no estádio Azteca, no México, em 1986.

"Não é um jogo. Ou melhor: não é apenas um jogo. Há outra coisa. Há muita raiva, muita dor e muita frustração acumulada em todos aqueles caras que assistem TV. São emoções que não nasceram do futebol. Nasceram em outro lugar. Em um lugar muito mais terrível, muito mais hostil, muito mais irrevogável. Mas para nós, aqueles de nós aqui, não temos escolha a não ser responder em campo", escreveu o autor em um texto intitulado Vai me desculpar.

Sacheri não menciona Maradona, mas sem dúvida se refere a ele quando narra as duas jogadas que o colocaram no Olimpo do futebol argentino.

"Com um prólogo tão trágico, esse cara vai e se enforca para sempre no nosso céu. Porque ele fica na frente dos adversários e os humilha. Porque os rouba. E mesmo que seja, eles retribuem aquela ânsia pelo outro, pelo maior, pelo infinitamente enorme e ultrajante", diz o escritor referindo-se à famosa "mão de Deus", o primeiro gol argentino na partida.

Mas tem mais, "porque o cara além de inteligente é um artista".

"Ele parte do meio do seu campo, para que não haja dúvidas de que o que vai fazer não foi feito por ninguém. E embora esteja de azul, vai com a bandeira. Carrega-a na mão, mesmo que ninguém a veja. Começa a esparramá-los para sempre. E vai liquidando-os um a um, movendo-se ao calor de uma música que eles não entendem. Eles não sentem a música, mas sentem uma vaga picada, algo que lhes diz que a noite está chegando...", relata Sacheri numa espécie de preâmbulo do chamado "gol do século" marcado por Maradona contra a Inglaterra.

Foi a melhor prévia da consagração final quando Diego, dois jogos depois, levantou a taça da Copa do Mundo naquele inesquecível México de 1986.

4. O desafio à gravidade

Para alguns, foi um "gol impossível".

Maradona era jogador do Napoli, equipe do Sul da Itália, e enfrentava a poderosa Juventus de Turim, do Norte italiano.

E um tiro livre indireto a apenas alguns metros das traves foi a oportunidade de o camisa 10 marcar um dos gols mais lembrados de sua carreira.

Com uma barreira de seis jogadores quase em cima dele, Maradona conseguiu levantar a bola o suficiente para ultrapassar os adversários e baixa o suficiente para entrar o ângulo antes que o goleiro pudesse chegar.

Nesta quarta-feira, a Juventus publicou em sua conta oficial no Twitter o vídeo daquele gol sofrido e inesquecível de Maradona como uma homenagem ao jogador.

E não foi o único time a celebrá-lo. O Milan, outro clube do Norte da Itália que Maradona enfrentou, publicou uma mensagem afirmando que ter o camisa 10 como rival foi "um horror".

5. O último grito

Maradona salvou a seleção argentina do naufrágio.

O time de camisa alviceleste havia sido derrotado pela Colômbia nas eliminatórias em Buenos Aires em 1993 e restava apenas uma repescagem contra a Austrália no ano seguinte para conseguir ir à Copa do Mundo de 1994, nos EUA.

Com o espírito nacional em campo, os argentinos apoiaram o já veterano jogador que não estava em forma, distante do futebol altamente competitivo na Europa e mais envolvido com polêmicas fora dos gramados.

Apesar de tudo isso, Diego voltou a ser Maradona.

A Argentina chegou à Copa do Mundo pela repescagem, mas com a vantagem de ter o "colosso de Villa Fiorito" em sua escalação.

A esperança estava revivida, e a Argentina teve uma estreia esmagadora contra a Grécia nos EUA.

E o momento de maior êxtase veio quando uma sequência de toques terminou aos pés do canhoto camisa 10 que, após posicionar o corpo e medir o tempo e o espaço, colocou a bola no ângulo do gol grego.

Foi o último grito de gol de Maradona em sua querida seleção argentina.

Mas logo depois, como ele mesmo disse, cortaram suas pernas e ele acabou afastado da competição após um exame antidoping.


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