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1 mês

Mulher que matou homem que a estuprava começa a ser julgada na França

21/06/2021 18h30

Uma petição pede que Valerie Bacot seja absolvida, apesar de ela ter admitido o assassinato

Valerie Bacot tinha apenas 12 anos quando Daniel Polette começou a estuprá-la. Ele foi preso, mas depois voltou para a casa da família e supostamente retomou o abuso.

Ela alega que Polette a forçou a se casar com ele. Eles tiveram juntos quatro filhos.

Bacot admite tê-lo assassinado em 2016, mas mais de 600 mil pessoas assinaram uma petição pedindo sua libertação.

Ela diz que atirou em Polette durante um encontro em que ele a teria forçado a trabalhar como prostituta.

Bacot escondeu o corpo com a ajuda de dois de seus filhos, mas foi presa em outubro de 2017 e confessou o assassinato.

O julgamento ocupa grande espaço no noticiário na França e tem estimulado o debate público sobre a violência contra as mulheres.

O caso tem semelhanças com o de outra mulher francesa - Jacqueline Sauvage - que foi presa por matar seu marido abusivo, mas mais tarde recebeu um perdão presidencial.

Os advogados de Bacot disseram que "a violência extrema que ela sofreu por 25 anos e o medo de que sua filha fosse a próxima" a levaram a cometer o assassinato.

No mês passado, foi lançado um livro sobre a história de vida da mulher de 40 anos, no qual ela dizia que vivia "com medo o tempo todo" e "precisava dar um basta".

Bacot diz que Polette, que era 25 anos mais velho do que a mulher, começou a abusá-la sexualmente quando ela tinha apenas 12 anos.

Ele passou dois anos e meio na prisão pelas agressões na década de 1990, mas depois voltou para a casa da família e a engravidou pela primeira vez quando ela tinha 17 anos.

Bacot diz que Polette se casou com ela e tornou-se fisicamente abusivo, mais tarde forçando ela a se prostituir.

Ela admite tê-lo assassinado com a pistola dele mesmo, após um incidente envolvendo um cliente em março de 2016.

Os promotores argumentam que o assassinato foi premeditado, enquanto a defesa afirma que Bacot sentiu que tinha que matá-lo para proteger a si mesma e a seus filhos.

"Essas mulheres vítimas de violência não têm nenhuma proteção", disse a advogada Janine Bonaggiunta à AFP. "O judiciário ainda é muito lento, pouco reativo e muito leniente com relação aos perpetradores, que podem continuar a exercer seu poder violento."

"Isso é precisamente o que pode levar uma mulher desesperada a matar para sobreviver."

O julgamento está sendo realizado em Chalon-sur-Saône, na região central da França, a cerca de 165 km ao norte de Lyon, e deve durar por volta de uma semana.


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