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O que se esconde debaixo dos nossos lençóis mesmo quando parecem limpos

Manal Mohammed - The Conversation*

01/08/2021 15h51

A combinação de suor, saliva, caspa, células cutâneas mortas e até partículas de comida fazem que a sua cama seja um ambiente fértil para o desenvolvimento de germes como bactérias, fungos, vírus e até pequenos insetos.

Nada como chegar ao fim de um longo dia, jogar-se na cama e, finalmente, colocar a cabeça no travesseiro. Mas, antes que você fique muito confortável, talvez seja bom saber que os seus lençóis não são muito diferentes de uma placa de Petri, aquele recipiente de vidro dos laboratórios.

A combinação de suor, saliva, caspa, células cutâneas mortas e até partículas de comida fazer com que esse seja um excelente ambiente para o desenvolvimento de uma grande quantidade de germes como bactérias, fungos, vírus e até pequenos insetos.

Aqui, listamos apenas algumas das coisas que se escondem embaixo de nossas cobertas.

Bactérias

Nossas camas podem abrigar uma ampla variedade de espécies bacterianas. Quer um exemplo? Estudos que analisaram as roupas de cama em hospitais descobriram que as bactérias estafilococos eram presença comum nelas.

Tipicamente inofensivas, essas bactérias podem causar doenças sérias se entrarem no corpo através de uma ferida aberta.

E alguns tipos de estafilococo podem ser mais nocivos que outros. É o caso do Staphylococcus aureus, que é bastante contagioso e pode agravar a acne e causar infecções cutâneas e pneumonia.

Os estudos mostraram também que, assim como os estafilococos, a E. coli e outras bactérias semelhantes, conhecidas como bactérias Gram-negativas, também são comuns em leitos hospitalares.

Esse grupo de micro-organismos representa um sério risco à saúde, já que eles são altamente resistentes aos antibióticos e podem causar infecções graves, incluindo diarreia, infecções urinárias, pneumonias, meningite e septicemia (infecção generalizada).

É claro que os hospitais são locais bastante diferentes de nosso ambiente doméstico. Isso não quer dizer, no entanto, que não seja possível encontrar essas bactérias nas nossas camas.

Na realidade, mais ou menos um terço da população carrega o Staphylococcus aureus em seu organismo e pode disseminá-lo com bastante facilidade - o que inclui a transferência dessas bactérias para seus lençóis.

Insetos

Sua pele solta cerca de 500 milhões de células mortas enquanto você dorme, todos os dias. Esses pedacinhos de pele podem atrair ácaros microscópicos que, por sua vez, são responsáveis por causar alergias e até asma.

Os percevejos de cama também podem ser um risco para a saúde. Ainda que esses pequenos insetos (de cerca de 5 milímetros), até onde se sabe, não transmitam doenças, eles deixam picadas incômodas no corpo, e podem causar uma variedade de efeitos na saúde mental, incluindo insônia e ansiedade.

Eles podem ser transportados para dentro de casa em roupas ou mochilas e precisam ser exterminados por uma equipe profissional.

Os ácaros, ao menos, podem ser eliminados com a lavagem das roupas de cama a uma temperatura de no mínimo 55 ºC.

Germes domésticos

É possível ainda transportar germes para a cama por meio de objetos contaminados, como roupas, toalhas, o vaso sanitário, superfícies da cozinha e, até mesmo, dos animais de estimação.

As toalhas de banho e os panos de prato podem armazenar diversas espécies bacterianas, incluindo Staphylococcus aureus e E. coli.

Não os lavar direito pode ajudar a propagar esses germes. Aliás, até doenças como a gonorreia podem ser transmitidas por toalhas ou lençóis contaminados.

Diferentes espécies microbianas podem sobreviver em tecidos durante períodos variados. O Staphylococcus aureus, por exemplo, permanece durante uma semana no algodão e duas semanas na felpa.

Além disso, espécies de fungos, como a Candida albicans, que pode causar infecções bucais e urinárias, e candidíase genital, são capazes de permanecer vivos em tecidos por até um mês.

Os vírus da influenza também sobrevivem em tecido, mas por um período menor, entre 8 e 12 horas. Outros tipos de vírus, como o vaccinia, podem durar até 4 semanas na lã ou no algodão.

Medidas de higiene

Lavar as roupas de cama corretamente e com frequência é a chave para assegurar que os germes não se tornem uma ameaça à saúde dentro de casa. Agora, a pergunta de um milhão de dólares: quão regularmente elas devem ser trocadas?

Como não é possível lavar os lençóis todos os dias, uma boa dica é arejá-los a cada manhã.

A umidade se acumula enquanto você dorme e, por isso, retirar as cobertas para que eles tomem um ar antes de arrumar a cama ajuda a torná-la um lugar menos atraente para bactérias e insetos.

Os colchões também podem ser uma grande fonte de germes, em razão do acúmulo de pele morta, partículas de comida e fungos ao longo dos anos.

Uma solução para evitar que isso aconteça é ter uma capa sobre ele - e lavá-la a cada uma ou duas semanas.

Aspirar o colchão e a base da cama todos os meses também ajuda a eliminar alérgenos e o pó. Vire-o com frequência e compre um novo se o seu já tiver mais de 10 anos.

Recomenda-se ainda que os lençóis sejam trocados todas as semanas (ou com maior frequência, se possível), especialmente se você passa muito tempo na cama, se dorme nu ou sua muito à noite. Também é bom trocar as fronhas a cada dois ou três dias.

Toda a roupa de cama deve ser lavada em temperaturas de médio a altas (entre 40 ºC e 60 ºC) para matar efetivamente todos os germes.

Evite colocar roupas demais na máquina de lavar, utilize uma quantidade suficiente de sabão e assegure-se de que tudo está completamente seco antes de usar.

Tomar banho à noite, evitar cochilos durante o dia, não ir para a cama suado ou com maquiagem e evitar o uso de loções e cremes antes de deitar-se são dicas para ajudar a manter os lençóis mais limpos entre as lavagens.

Por último, não coma nem beba na cama, não deixe que seus animais de estimação subam nela e retire as meias sujas antes de dormir.

*Manal Mohammed é professora catedrática de Microbiologia Médica da Universidade de Westminster, no Reino Unido. O texto foi publicado originalmente no The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia a versão original, em inglês, aqui.

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