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Nxivm: cofundadora de seita sexual que marcava mulheres a ferro é condenada nos EUA

Nancy Salzman olha para o lado em ambiente externo, abraçada por uma pessoa - Reuters
Nancy Salzman olha para o lado em ambiente externo, abraçada por uma pessoa Imagem: Reuters

09/09/2021 06h44Atualizada em 09/09/2021 08h40

Nancy Salzman, 66 anos, afirmou em tribunal nesta quarta-feira (8/9) estar 'horrorizada e envergonhada' por ter apoiado líder da seita, condenado a 120 anos de prisão.

A cofundadora da seita Nxivm Nancy Salzman, de 66 anos, foi condenada nos Estados Unidos a mais de três anos de prisão por sua participação em cultos sexuais.

Ela já havia se confessado culpada de crimes de extorsão em 2019, admitindo ter roubado endereços de e-mail e senhas de críticos do Nxivm.

Agora, ela deverá se entregar para ser presa em janeiro de 2022 ? a demora de alguns meses se deve à necessidade de recuperação de um procedimento médico não especificado.

Em outubro de 2020, o líder do Nxivm, Keith Raniere, foi condenado a 120 anos de prisão pelos crimes de extorsão, tráfico sexual, pornografia infantil, entre outros.

O Nxivm (a pronúncia é nexium) foi fundado em 1998, tem sede em Albany, no Estado de Nova York, e se define como uma "comunidade guiada por princípios humanitários que busca empoderar as pessoas". O grupo diz ter trabalhado com 16 mil pessoas em centros nos Estados Unidos, Canadá e México. Há antigos membros conhecidos, como a atriz Allison Mack, que atuou na série Smallville.

Para investigadores, trata-se de uma operação de tráfico sexual disfarçada de grupo com princípios humanitários.

Para fora, o Nxivm parecia oferecer programas inofensivos de autoajuda, mas no núcleo do grupo Raniere exercia níveis extremos de controle, culminando em abuso sexual, violência e até a marcação a ferro de suas iniciais nos corpos de mulheres.

Nesta quarta-feira (8/9), Salzman afirmou em um tribunal federal no Brooklyn que estava "horrorizada e envergonhada" por ter apoiado Raniere.

Os advogados da mulher dizem que ela agora reconhece "todo o peso de seus erros enquanto serviu como colaboradora e facilitadora de Keith Raniere" no culto.

O juiz federal Nicholas Garaufis, por sua vez, afirmou que ela gerou "trauma e destruição" às vítimas do Nxivm.

Em um documento anexado ao processo em agosto, a procuradora-assistente Tanya Hajjar disse que Salzman "menosprezou e humilhou as mulheres e culpou as vítimas de abuso".

"Você nunca refutou [Raniere]. A porta estava sempre aberta, mas você nunca saiu", afirmou o juiz, segundo o jornal New York Daily News.

Salzman também admitiu ter adulterado vídeos que seriam usados em um processo contra o "desprogramador" de cultos Rick Alan Ross.

Antes do veredito, o tribunal ouviu depoimentos em áudio e vídeo de vários ex-membros do Nxivm que detalharam o papel de Salzman na organização.

A filha de Nancy Salzman, Lauren, também era parte do alto escalão do Nxivm. Ela podia ter sido condenada a até sete anos de prisão, mas em julho recebeu cinco anos de liberdade condicional depois de ajudar os promotores a derrubar Raniere.

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