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Boris Johnson: 4 questões-chave do escândalo sexual que levou à queda do premiê

Boris Johnson está sob pressão - Reuters
Boris Johnson está sob pressão Imagem: Reuters

06/07/2022 17h53

Premiê britânico renunciou ao posto de líder do Partido Conservador por ter nomeado parlamentar para cargo mesmo após denúncias de crime.

Um novo escândalo provocou a queda do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

A crise foi iniciada com um escândalo sexual envolvendo Chris Pincher, um parlamentar conservador próximo a Johnson.

Dezenas de ministros e funcionários do governo renunciaram ou foram demitidos, incluindo o ministro do Tesouro, Rishi Sunak, o ministro da Saúde, Sajid Javid, e o ministro para o País de Gales, Simon Hart. O movimento de demissões culminou com a saída de Boris Johnson, anunciada nesta quinta-feira (7/7)

Esses episódios ocorrem menos de um mês depois que o primeiro-ministro enfrentou uma moção de desconfiança em que 41% dos parlamentares de seu próprio partido votaram contra ele.

Essa tentativa de removê-lo do cargo ocorreu em decorrência das fotos e evidências de reuniões e comemorações na sede do governo que vieram à tona enquanto o resto do país estava confinado em razão das restrições impostas pelo próprio governo de Johnson durante a pandemia de covid-19.

A BBC responde a seguir às perguntas-chave sobre a nova crise que derrubou o primeiro-ministro.

1. Como a crise começou?

Em 30 de junho, o jornal britânico The Sun publicou que Chris Pincher, então deputy chief whip da bancada do Partido Conservador no Parlamento, apalpou dois homens em um clube privado em Londres.

O deputy chief whip é um posto que, no sistema político britânico, tem como atribuição garantir que parlamentares do partido votem conforme a orientação das lideranças.

Pincher, que havia sido nomeado para esse cargo por Johnson em fevereiro deste ano, renunciou imediatamente.

Em poucos dias, a mídia britânica publicou informações de, pelo menos, seis outros casos de suposta conduta sexual inapropriada de Pincher nos últimos anos.

Pincher, que foi suspenso pelo Partido Conservador, pediu desculpas e disse que cooperará totalmente com as investigações sobre sua conduta e está buscando "apoio médico profissional".

2. Por que Boris Johnson está implicado nisso?

Embora o primeiro-ministro britânico não esteja envolvido nessas denúncias de conduta sexual inapropriada, o escândalo coloca Pincher em uma posição difícil, porque o julgamento feito pelo premiê a respeito está sendo questionado, assim como a transparência com que o governo tratou o caso.

Em 1º de julho, o governo disse à imprensa que Johnson não estava ciente de nenhuma alegação contra Pincher antes de sua nomeação.

Um porta-voz disse que o primeiro-ministro não estava ciente de "acusações específicas" sobre Pincher.

Essa foi a mesma posição que vários membros do gabinete mantiveram nos dias seguintes.

No entanto, em 4 de julho, o porta-voz disse que Johnson estava ciente de "alegações que foram resolvidas ou não avançaram para a fase de reclamação" e que não foi considerado apropriado interromper a nomeação de Pincher devido a "alegações sem fundamento".

Naquela mesma tarde, no entanto, a BBC revelou que Johnson havia sido informado sobre uma queixa formal sobre o "comportamento inapropriado" de Pincher enquanto trabalhava no Ministério das Relações Exteriores entre 2019 e 2020.

Esta queixa levou a um processo disciplinar que confirmou que o comportamento inadequado ocorreu.

Mais tarde, em uma entrevista à BBC, Johnson disse: "Houve uma reclamação que foi trazida à minha atenção especificamente... Foi há muito tempo, e chegou até mim em uma conversa. Mas isso não é desculpa, eu deveria ter feito algo sobre isso".

O primeiro-ministro descreveu como "um erro" ter nomeado Pincher, que ele disse ter se comportado "muito, muito mal", e Johnson pediu desculpas às pessoas afetadas.

3. Por que o premiê ficou em uma situação delicada?

"Isso é tudo sobre uma coisa: a verdade", diz o editor de Política da BBC, Chris Mason, analisando a crise em curso no governo britânico.

"Independentemente da onda de detalhes e acusações, tudo se resume a se as pessoas podem acreditar no que o Johnson diz", acrescenta.

E a resposta do governo ao escândalo de Pincher foi mudando progressivamente à medida que outros elementos surgiram, como aconteceu durante o chamado Partygate, caso sobre encontros realizados na sede do governo durante o confinamento devido ao coronavírus, em que ficou provado que Johnson havia participado de algumas dessas reuniões sociais.

"As perguntas são sobre o que Boris Johnson sabia e quando ele sabia. E as respostas continuam mudando, muitas vezes em resposta a fatos desconfortáveis ??que demonstram que sua defesa anterior não tão sincera quanto poderia ter sido", afirma Manson.

4. O que pode acontecer agora?

Em seu discurso de renúncia, Boris disse que pretende ficar no cargo até outubro, quando seria eleito um novo líder de seu partido ? que assumiria então a vaga de primeiro-ministro.

No entanto, parlamentares conservadores querem apressar a sua saída do governo e eleger um novo premiê o mais rápido possível.

Para isso, seria necessário que houvesse mais um voto de desconfiança em Boris ? algo que as regras do partido conservador impedem neste momento, já que Boris sobreviveu há pouco a uma dessas moções. As alternativas a isso seriam: mudar essas regras ou pressionar Boris a aceitar sair logo do cargo.

- Texto originalmente publicado em http://bbc.co.uk/portuguese/internacional-62071142


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