Americanos desenvolvem 'camisinha líquida'

da BBC, em Londres

Pesquisadores americanos estão desenvolvendo uma “camisinha líquida” para proteger as mulheres contra o vírus da Aids.

O líquido formulado pela equipe da Universidade de Utah se transforma em uma cobertura de gel quando inserida na vagina.

Depois, quando exposta ao sêmen, ele retorna à forma líquida e libera uma droga anti-viral para atacar o vírus HIV.

Porém a tecnologia, descrita em um artigo na revista científica Journal of Pharmaceutical Sciences, ainda deve demorar cinco anos para ser testada em seres humanos.

E os pesquisadores prevêem que ainda levará cerca de dez anos antes de que o produto possa ser usado em larga escala.

“O nosso maior objetivo para esta tecnologia é proteger as mulheres e seus filhos no útero ou recém-nascidos de serem contaminados com o vírus da Aids”, disse o pesquisador Patrick Kiser.

Esforço mundial

O projeto da Universidade de Utah é parte de um esforço mundial de pesquisa para desenvolver “microbicidas” – sistemas para administração de drogas por meio de géis, esponjas ou cremes para prevenir infecção pelo HIV ou outras doenças sexualmente transmissíveis.

Esses produtos são vistos como uma maneira de as mulheres ganharem poder para se protegerem contra o HIV, particularmente em nações pobres onde a Aids é mais disseminada, onde o índice de estupros é alto, onde o acesso às camisinhas é difícil ou seu uso é considerado tabu.

Os microbicidas de primeira geração testados atualmente devem estar disponíveis dentro de quatro anos, com uma taxa de efetividade entre 50% e 60%.

Segundo Kiser, porém, esses microbicidas duram apenas por um curto espaço de tempo e têm de ser usados pouco antes da relação sexual.

A vantagem potencial da nova tecnologia que está sendo desenvolvida por sua equipe é que ela terá duração muito mais longa.

“Estamos trabalhando em um sistema de administração de microbicida que poderia ser usado uma vez ao dia ou uma vez ao mês”, disse ele.

Sem efeitos colaterais

Os testes já mostraram que seu “hidrogel” não deve causar efeitos colaterais ou desconfortos significativos.

Ele foi desenvolvido de maneira a não desidratar as células vaginais, o que pode levar a infecções, e a não ser diluído por outros líquidos.

O próximo estágio deve ser verificar se as drogas anti-virais incorporadas ao hidrogel podem ser administradas com a mesma eficácia demonstrada nos testes de laboratório.

Os pesquisadores se dizem esperançosos de que, como a camada de gel dentro da mulher será muito mais fina do que nos testes de laboratório, a liberação de drogas deve ser ainda mais efetiva.

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