Base de apoio ampla dificulta montagem de governo, diz ex-governador petista

da BBC, em Londres

A ampla aliança partidária em torno da base de apoio ao governo no Congresso foi tão bem sucedida que vai dificultar o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de composição do novo governo.

A avaliação é do ex-governador do Acre, Jorge Viana, do PT, que deixou o governo nesta segunda-feira depois de eleger seu sucessor e, bastante próximo a Lula, é um dos nomes lembrados como “ministeriáveis” para o segundo mandato.

O presidente Lula manteve no cargo todos os ministros do primeiro governo, inclusive os técnicos que assumiram em substituição a titulares que deixaram o cargo para se candidatar no ano passado, e adiou para o fim de janeiro a divulgação do ministério definitivo do segundo mandato.

Viana disse que tem uma expectativa muito positiva para os próximos quatro anos, por causa da engenharia política elaborada pelo presidente. “Muitos analistas consideram impossível, mas ele estabeleceu esta aliança tão bem que até comprometeu a montagem do governo, porque ela ficou tão grande que ele precisa agora de um certo tempo”, afirmou à BBC Brasil.

Mas Viana não considera o fato de o governo começar o novo mandato com um ministério “velho” um ponto negativo. “Eu mesmo fiz isso no meu segundo mandato e o meu sucessor também vai manter o secretariado nos primeiros três meses. É normal”, afirmou.

Maturidade

“Tem muita gente pra ficar, muita gente pra entrar, mas aí é uma decisão soberana do presidente. Acho que tem uma maturidade, um amadurecimento para o próximo período”, disse Viana.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, também do PT, também confia no “amadurecimento” do partido para aceitar a distribuição de cargos no governo que for decidida pelo presidente.

“A decisão é do presidente da República. Acho que o PT tem legitimidade para reivindicar e tem maturidade para abrir mão”, afirmou.

Wagner diz que espera uma “agilidade maior” no segundo mandato de Lula para resolver os problemas do país. “Os quatro primeiros anos foram de reconhecimento e agora toda a equipe e o próprio presidente conhecem mais e, como ele mesmo diz, sabem onde estão os obstáculos. Acho que poderá acelerar o que vinha fazendo no primeiro governo”, disse

A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que assistiu à posse entre os convidados do lado de fora do Planalto e durante a campanha era considerada uma das "ministeriáveis" do segundo mandato, repetiu várias vezes, respondendo a perguntas de jornalistas, que não foi convidada a integrar o ministério do segundo mandato.

Marta Suplicy disse que nem todos no PT concordam que é preciso abrir mão de cargos no governo para acomodar a base aliada no Congresso. “Mas eu acho”, afirmou.

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