Lula pede 'pressa e criatividade' em discurso de posse

da BBC, em Londres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu "pressa, ousadia, coragem e criatividade para abrir novos caminhos" e reafirmou o que considera o caráter "popular" e de "inclusão" de seu governo, em seu discurso de posse para o segundo mandato.

A necessidade de "desatar nós" e "destravar o país" e "romper as amarras", mas "sem abrir mão da responsabilidade fiscal" foram temas recorrentes na fala de Lula no Congresso nesta segunda-feira.

Na fala, o presidente fez um balanço do que considera avanços dos quatro primeiros anos de governo, disse ser igual "no compromisso com o povo", mas "diferente na consciência do que "pode e não pode fazer.

No segundo discurso, no Palácio do Planalto, Lula enfatizou sua "relação com o povo" e classificou os ataques da semana passada no Rio de Janeiro como "terrorismo".

Bolsa Família

Relacionando crescimento econômico e inclusão social, Lula prometeu apresentar ainda em janeiro um conjunto de medidas a que chamou de "Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)".

Entre as iniciativas de estímulo ao crescimento econômico, o presidente citou a ampliação do investimento público – sobretudo em infra-estrutura – e a desoneração e incentivo ao investimento privado.

Outras medidas incluiriam a unificação do ICMS, que depende de aprovação do Congresso, e a expansão do crédito.

O presidente, porém, não mencionou metas de crescimento. O crescimento em 2006 deve ter sido de menos de 3%, o menor índice da América Latina com exceção do Haiti e inferior a todas as projeções anteriores feitas pelo governo.

Na área social, Lula citou o que considera conquistas sobretudo do Bolsa Família – "saudado pelas comunidades pobres e criticado por alguns setores privilegiados".

Educação

Mas o presidente disse que a política social será "cada vez mais estrutural" e citou a a necessidade de "criar alternativas de trabalho e renda para os beneficiários dos programas de transferência de renda".

A principal crítica feita ao Bolsa Família é justamente em relação ao suposto caráter assistencialista do programa, que aliviaria os efeitos da pobreza mas não combateria suas causas.

Entre os temas sociais, a educação foi a área de mais destaque no discurso de Lula.

"Reitero que a educação de qualidade será a prioridade de meu governo", disse.

Segurança Pública

A segurança pública, "verdadeiro flagelo nacional", nas palavras de Lula, também foi mencionada, ao lado da saúde como duas áreas que o governo pretende "continuar modernizando".

Sem citar os recentes ataques no Rio de Janeiro e os diversos incidentes em São Paulo, o presidente disse No Congresso que "crescem as condições para uma efetiva coperação entre União e Estados da Federação, sem a qual será muito difícil resolver esse crucial problema".

Horas depois, no Palácio do Planalto, o presidente classificou os atos de violência no Rio como "terrorismo" e disse que iria se reunir com o ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, para discutir o que fazer.

No trecho final, de tom mais político, Lula disse que a "as formas da democracia participativa não são opostas às da democracia representativa" e voltou a dizer que "reforma política deve ser prioritária no Brasil".

Lula afirmou que, ao ser reeleito, o povo "escolheu uma proposta, optou por um lado" e, sem mencionar nomes, fez críticas à oposição, dizendo que "não faltaram os que, do alto de seu preconceitos elitistas, tentaram desqualificar a opção popular".

No discurso no Planalto, Lula voltou a ressaltar sua relação com o "povo" e com "as minorias marginalizadas".

"Quero dizer para vocês que sou presidente de todos, sem distinção de credo religioso, sem distinção de compromissos ideológicos."

"Mas não se enganem, mesmo sendo presidente de todos, eu continuarei fazendo o que faz uma mãe, eu cuidarei primeiro daqueles mais necessitados, daqueles mais fragilizados, daqueles que mais precisam do Estado brasileiro", acrescentou.

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