Equador: Correa assume e quer nova Constituição

da BBC, em Londres

O presidente eleito Rafael Correa assume nesta segunda-feira o governo do Equador para um mandato de quatro anos com a intenção de convocar uma Constituinte e reescrever a Constituição do país.

Já neste domingo, numa cerimônia indígena, ele disse que que fará "um governo dos indígenas" e que a América Latina vive uma época de mudanças.

Ele afirmou ainda que vai promover no Equador "uma verdadeira revolução democrática e constitucional, radical, profunda, com mudanças rápidas no modelo atual de exploração e injustiça".

A promessa de reforma constitucional, feita durante a campanha, ficou mais fácil de ser cumprida a partir da adesão ao projeto do partido Sociedad Patriotica, do presidente deposto Lucio Gutierrez, que tem 24 dos 100 membros do Congresso, que só tem uma casa.

O partido de Correa, Alianza País, não apresentou candidatos ao Congresso.

Referendo

Já nesta segunda-feira, logo após a posse, Correa, um economista de esquerda de 43 anos que foi ministro da Fazenda durante três meses no governo do atual presidente, Alfredo Palacio, vai assinar um decreto convocando um referendo popular para decidir sobre a nova constituinte.

Ele não explicou exatamente o que quer mudar no país, mas tem criticado duramente o Congresso e dito que ele precisa passar por grandes transformações. O novo Congresso também foi eleito no final do ano passado e tomou posse há dez dias.

Os últimos três presidentes eleitos – incluindo Gutierrez - foram retirados do poder pelo Congresso, após protestos populares.

Correa foi eleito no segundo turno, em 26 de novembro do ano passado, com 56% dos votos válidos, depois de ficar em segundo lugar no primeiro turno.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cerimônia de posse.

Também devem estar presentes os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Michelle Bachellet, do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, do Peru, Alan Garcia, da Colômbia, Álvaro Uribe, da Nicarágua, Daniel Ortega e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Investidores estrangeiros vão ficar de olho no discurso de posse e nas decisões que serão tomadas pelo novo presidente.

Existe um temor de que ele decrete uma moratória ou reestruturação de pelo menos uma parte da dívida pública, embora o país tenha recursos para pagar o que deve, especialmente com o aumento de receita que teve nos últimos anos com o aumento do preço do petróleo.

Em entrevistas à imprensa estrangeira, Correa tem adotado um tom mais ameno, mas em discursos ao público interno o tom é mais radical, dizendo que "os compromissos nacionais estão à frente dos internacionais".

Posse simbólica

Neste domingo, Correa participou na cidade de Zumbahua, a 90 quilômetros de Quito, de um ritual indígena no qual recebeu o bastão de mando e outros instrumentos que simbolizam o poder.

Os presidentes Hugo Chávez e Evo Morales participaram da cerimônia, assistida por milhares de pessoas.

O presidente Alfredo Palacio, que foi eleito vice e assumiu o poder após a deposição de Gutierrez em abril de 2005, deixa o governo com a popularidade em baixa.

Uma pequisa da empresa Cedatos Gallup International realizada no início do mês mostra uma aprovação de 22% para Palacio, que começou o governo com 53% de popularidade e caiu a 12% no início do primeito ano, com a população reclamando de promessas não cumpridas.

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