Parlamento europeu inaugura partido de extrema-direita

da BBC, em Londres

O Parlamento Europeu faz nesta segunda-feira a sua primeira sessão completa em 2007 com uma novidade: o recém-criado grupo de extrema-direita. No entanto, dizer que ela foi saudada com entusiasmo universal seria minimizar a reação dos parlamentares.

"No sentido de que é bom para saber quem é o inimigo, eu dou as boas vindas a esse grupo", afirmou o representante liberal-democrata britânico Chris Davies.

"Enquanto tentamos fazer a Europa funcionar, eles (a extrema direita), tenta fazê-la fracassar", afirmou o porta-voz do partido Conservador no Parlamento europeu.

Já o partido Verde da Grã-Bretanha afirma que a extrema-direita representa "a exata antítese dos valores que esse Parlamento (europeu) representa".

Uma fonte do grupo eurocético Independência e Democracia disse estar encantado com a formação do novo grupo.

"Nós podemos apontar para eles e dizer: 'não somos nós os malucos da extrema direita. São eles".

'Valores tradicionais'

Mas o que será que esse grupo representa?

Eles afirmam ser a favor de "reconhecimento dos interesses nacionais", "comprometimento com os valores cristãos e com as tradições da civilização européia", e da família tradicional.

Ao mesmo tempo, se dizem contra um "Superestado burocrático europeu".

O grupo atende pelo nome Identidade, Tradição e Soberania ou pela sigla ITS.

A maior parte dos partidos da coalizão é veementemente antiimigração, mas rejeita o rótulo "extrema direita". Eles afirmam estar mais próximos do centro.

"Tivemos pelo menos 25% dos votos nas últimas eleições européias", ressalta o parlamentar belga Philip Claeys, do partido separatista belga Interesses Flamengos (de Flandres).

"Dificilmente podem nos descrever como extremistas."

Negação do Holocausto

O líder do ITS, o francês Bruno Gollnisch aguarda o veredicto do seu processo por negação do Holocausto (o assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial).

"O fato de eu ser réu não me transforma em culpado", diz Gollnisch. "Acho que a História deveria ser aberta à discussão."

Ele se recusa a responder se vai apoiar ou não o projeto da Alemanha de transformar a negação do Holocausto em crime em todos os países-membros da UE.

A maior parte dos partidos de extrema direita se opõe à expansão do bloco. Muitos deles se opõem até à própria União Européia. A ironia é que desde a associação, no primeiro dia de 2007, da Romênia, o novo grupo ganhou um importante reforço.

Para ser reconhecido como grupo, são necessários pelo menos 20 parlamentares de seis países europeus.

Leste Europeu

Cinco dos deputados europeus do ITS são do partido Nacionalista, da Romênia, e um da coalizão Ataque, da Bulgária.

Ambos partidos já participavam como observadores e têm um histórico de hostilidade contra ciganos, também conhecidos como roma.

No ano passado, uma parlamentar roma, Livia Jaroka, foi indicado para o prêmio de Parlamentar do Ano.

Em um e-mail aos organizadores do prêmio, Dimitar Stoyanov, da coalizão Ataque, escreveu:

"Senhores, tenho que discordar. No meu país há milhares de ciganas mais bonitas do que a honrada indicada. De fato, se você estiver no lugar certo, na hora certa, você pode até comprar uma (de 12 ou 13 anos) para ser a sua amada esposa. As melhores delas são muito caras, até 5 mil euros por cabeça, uau!"

Entre 1984 e 1989, a extrema-direita européia era representada no Parlamento pelo grupo liderado pelo francês Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional francesa.

De 1989 a 1994, a coalização se transformou no Grupo Técnico da Direita Européia, mas desde então não conseguiu parlamentares em número suficiente para continuar como grupo.

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