Programa de TV 'julga' Blair por crimes de guerra

da BBC, em Londres

Nesta segunda-feira o canal de TV britânico More4 exibe um filme que está causando polêmica, no qual o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, é julgado pela Corte Internacional de Justiça de Haia por supostos crimes de guerra.

A trama se passa no futuro, possivelmente em 2010, e Blair já está afastado da política. O primeiro-ministro britânico é Gordon Brown, atualmente considerado o provável sucessor de Blair, a presidente dos Estados Unidos é Hillary Clinton e o secretário-geral da ONU é Arnold Schwarzenegger.

A fita será transmitida poucos meses depois de um outro filme polêmico ir ao ar, Morte de um presidente, que mostrou o hipotético assassinato do presidente americano, George W. Bush, na cidade de Chicago em 2007, ao levar um tiro durante uma manifestação contra a guerra.

O julgamento de Tony Blair, que tem 1h30 de duração, começa com uma cena em que o futuro ex-primeiro-ministro dita as suas memórias para a secretária.

"Os princípios que me guiam são fazer as coisas certas e combater o mal", diz o personagem, interpretado pelo ator Robert Lindsay.

Amigo Bush

Diferentemente do drama anterior, Bush segue vivo, mas está internado em um centro de reabilitação após ter sido encontrado em seu rancho, em estado de coma.

"Fico surpresa de que alguém se deu conta", disse sarcasticamente a atriz que interpreta Cherie Blair, durante o café-da-manhã com o marido.

O ex-premiê olha surpreso para a esposa e diz: "George é meu amigo. O que atravessamos juntos foi um verdadeiro inferno."

Cherie responde: "Oh, eu pensei que vocês tivessem mandado outros tomarem conta destas coisas."

Como na vida real, a esposa de Blair é uma advogada de grande prestígio.

"Você vai precisar de uma boa equipe legal", diz a Cherie fictícia ao marido, dentro de um carro.

"O que você acha das pessoas que defenderam Pinochet?", acrescentou.

Haia

Uma das cenas que provocou mais comentários dos jornalistas que já viram a fita foi uma reunião de Blair com o futuro embaixador dos Estados Unidos.

O diplomata lembra ao ex-premiê britânico que os Estados Unidos nunca reconheceram o tribunal de Haia, diferentemente da Grã-Bretanha.

"Você está sob a jurisdição da corte e nós não. Vamos ter de dizer algumas coisas desagradáveis sobre você, mas quero que você saiba que não pensamos assim", diz o diplomata.

Outro trecho muito comentado é o que mostra Blair, aparentemente atormentado pelo destino do Iraque, ainda em guerra em 2010, imaginando ter o cadáver de uma criança iraquiana em seus braços.

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