Site alemão oferece 'manifestantes de aluguel'

da BBC, em Londres

Promotores de causas perdidas ou simplesmente movimentos políticos sem apoio suficiente na Alemanha podem a partir de agora alugar seus próprios manifestantes.

Desde dançarinas de strip-tease até exuberantes Ferraris figuram na relação do erento.com, um site alemão especializado em alugar qualquer coisa imaginável.

Mas a partir deste ano, a empresa começou a oferecer "manifestantes profissionais", homens e mulheres, geralmente estudantes, desocupados e aposentados, que por um pagamento especial se transformam em defensores de qualquer causa que se possa imaginar.

"Abrimos o serviço devido à crescente demanda", dizem os responsáveis pelo Erento, Chris Möller e Uwe Kampschulte. "Em geral, não sabemos o que os manifestantes contratados acabam fazendo, mas naturalmente rechaçamos qualquer forma de agressividade ou extremismo de direita", afirmam.

Honorários

Um manifestante não sai barato. Cada um custa em torno de US$ 150 por dia.

Alguns manifestantes, porém, cobram honorários reduzidos por causas que os interessam.

A empresa fica com 4,9% dos honorários de cada pessoa contratada.

Criar uma manifestação de caráter massivo pode custar uma fortuna. Mesmo assim, a Erento afirma que apenas na primeira semana de janeiro foi consultada por cerca de 50 clientes sobre os serviços desses "mercenários da opinião".

No final do ano, soube-se que uma manifestação em frente ao Parlamento, que reuniu cerca de 200 membros da Associação de Médicos Alemães contra uma nova lei de saúde, havia sido coberta por 150 manifestantes alugados e rapidamente disfarçados com o avental branco.

Alugar manifestantes também pode trazer benefícios de imagem. Se a causa carece de apoio jovem ou de adultos, de imigrantes ou de estudantes, o cliente pode pesquisar as fotos e os perfis de cada "manifestantes" na página da Erento para escolher o que mais lhe favorece.

A empresa também se encarrega de alugar equipamentos como megafones, apitos, caminhões e todo o resto necessário para uma verdadeira manifestação.

A crescente despolitização da população parece fazer com que nem mesmo aqueles afetados diretamente em seus interesses reúnam forças nem ânimo suficientes para sair às ruas.

Os responsáveis pela empresa garantem, no entanto, que é impossível distinguir um manifestante real de um alugado.

Com uma carteira recheada, muitas iniciativas poderiam simular um apoio popular inexistente, um problema que já começa a preocupar juristas e políticos na Alemanha.

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