Bush pede 'uma chance' no Iraque e defende etanol

da BBC, em Londres

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, realizou nesta terça-feira à noite o seu sétimo discurso anual do Estado da União, o primeiro desde que a oposição democrata passou a controlar o Congresso americano.

Em tom conciliatório, o líder americano se dirigiu diretamente aos democratas, ao enfatizar que respeita os representantes do partido e os seus argumentos, mas acrescentou que ''nosso país está buscando uma nova estratégia no Iraque e peço que vocês ofereçam a ela uma chance de dar certo. E peço que dêem apoio às nossas tropas no campo de batalha e àquelas que estão a caminho''.

O presidente se referia à sua estratégia de enviar mais 21,5 mil soldados para o Iraque. Ele afirmou que o reforço é necessário porque ''se a América se retirar antes de Bagdá estar segura, o governo iraquiano será derrubado por extremistas vindos de todos os lados'', com uma ''batalha épica'' sendo travada ''entre extremistas xiitas apoiados pelo Irã e extremistas sunitas apoiados pela Al-Qaeda e grupos de apoio do velho regime''.

O Iraque dominou a maior parte do discurso, mas o líder americano também dedicou um bom espaço de seu pronunciamento a questões domésticas. Assim como havia feito em 2006, ele voltou a defender que os Estados Unidos têm de reduzir sua dependência em relação ao petróleo e ''continuar investindo em novos métodos de produção de etanol, usando de tudo, desde gravetos e grama até detritos vegetais''.

Dependência

O presidente americano falou que ''por muito tempo nosso país tem sido dependente do petróleo internacional. E isso nos deixa mais vulneráveis a regimes hostis e a terroristas, que poderiam fazer uso de interrupções de suprimentos de petróleo para aumentar os preços e causar grandes prejuízos à nossa economia''.

Por esses e outros motivos, Bush pediu que o Congresso se unisse a ele ''para alcançar um grande ojetivo'', o de ''trabalhar para reduzir o consumo de gasolina no país em 20% nos próximos dez anos, e portanto reduzir nossas importações no equivalente a três quartos do que importamos do Oriente Médio''.

O discurso foi permeado de "afagos" aos democratas. Bush abriu seu pronunciamento dizendo: ''Tenho o privilégio de ser o primeiro presidente a poder dizer: 'senhora presidente''', em referência a Nancy Pelosi, a deputada democrata que preside o Congresso desde janeiro deste ano.

Em seguida acrescentou: ''Não somos os primeiros a vir aqui com um governo dividido e com a incerteza pairando no ar. Assim como muitos antes de nós, podemos resolver nossas diferenças e alcançar grandes coisas para o povo americano''.

''Nossos cidadãos não se importam em saber de que lado da rua cada um de nós se encontra, desde que estejamos dispostos a cruzar a rua quando há trabalho para ser feito.''

Cooperação

O líder americano usou a palavra ''cooperação'' sete vezes em seu pronunciamento e fez até uma citação velada a um dos mais populares líderes do Partido Democrata, o ex-presidente Bill Clinton, ao usar um conceito que o outrora líder americano costumava repetir, o de que o país precisava alcançar ''um equilíbrio orçamentário''.

Bush manifestou sua intenção de consertar os programas de seguro saúde e seguro social americanos, mas não detalhou de que forma fazê-lo. Em contraste com o seu discurso do Estado da União de 2005, quando deu detalhes sobre seus planos para reformar o programa de seguro social, mas o projeto acabou fracassando.

Ele também afirmou sua intenção de dar auxílio aos Estados que estão buscando ajudar seus habitantes mais pobres que não contam com seguro saúde, em referência aos programas de seguro de saúde universais recém-anunciados pelos governadores republicanos Arnold Schwarzenegger, da Califórnia, e Mitt Romney, de Massachusetts.

Ambos governam Estados tradicionalmente pelo Partido Democrata e os projetos por eles anunciados caíram nas graças de políticos e partidários democratas.

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