Até 25% dos computadores podem estar infectados, dizem especialistas

da BBC, em Londres

Até 25% dos computadores conectados à internet podem estar sendo usados por criminosos nas chamadas botnets, segundo um dos pais da rede mundial de computadores, Vint Cerf.

Botnets são redes formadas por diversos computadores com um programa chamado bot (ou robot), projeto para procurar informações pela internet com pouca intervenção humana. Estes computadores ligados a redes botnet podem estar sendo usados - sem o conhecimento de seus donos - para atividades como spam ou esquemas de fraudes.

Além de Cerf, um dos que desenvolveu o padrão TCP/IP que sustenta todo o tráfico de internet, um painel de analistas e especialistas está reunido em Davos, Suíça, no Fórum Econômico, discutindo o futuro da rede mundial de computadores.

"(A situação) é tão ruim quanto você possa imaginar, e coloca a internet inteira em risco", afirmou o escritor especialista em tecnologia John Markoff.

Epidemia

Vint Cerf, que atualmente trabalha para o Google, comparou a expansão das botnets a uma "epidemia generalizada".

Dos 600 milhões de computadores na internet atualmente, entre 100 e 150 milhões já fazem parte destas redes botnets, disse Cerf.

Hackers geralmente assumem o controle destes computadores e os colocam em botnets quando infectam estes aparelhos com vírus que contém os programas chamados cavalos de Tróia.

Enquanto a maioria dos proprietários destes computadores não sabe que eles foram infectados, as redes de dezenas de milhares de computadores são usadas para envio de spam ou esquemas de fraude online.

John Markoff, que escreve sobre tecnologia para o jornal The New York Times disse que uma única botnet, em um dado momento, usou cerca de 15% da capacidade de busca do Yahoo.

"Apesar de tudo isto, a rede ainda está funcionando, o que é impressionante. (A rede) é muito resistente", disse Cerf.

O painel de especialistas - que reuniu também Michael Dell, fundador da Dell Computadores, e Hamadoun Toure, secretário-geral do Sindicato Internacional de Telecomunicações - chegou à conclusão de que é preciso achar uma solução para garantir a sobrevivência da internet.

Mas os membros do painel não tinham certeza sobre qual solução possível. Eles apenas identificaram sistemas operacionais e autenticação como questões importantes para esta solução.

Vários integrantes do painel afirmaram que ainda é muito fácil para criminosos virtuais esconderem os próprios rastros. Mas também admitiram que provavelmente não é desejável que todos os usuários da rede sejam imediatamente identificados.

"Anonimato tem seu valor e também tem riscos", disse Jonathan Zittrain, professor de controle da internet na Universidade de Oxford.

Fechar portas

Segundo os especialistas, sistemas operacionais como o Microsoft Windows ainda são alvos fáceis para a infiltração de criminosos.

A Microsoft fez um bom trabalho para melhorar a segurança para sua última versão do Windows, o Windows Vista, afirmou Markoff.

Mas cópias piratas do Vista já estão circulando na China. E o lançamento para os consumidores está marcado apenas para a próxima semana.

A experiência mostrou que cerca de 50% dos programas Windows pirateados vieram com programas cavalos de Tróia pré-instalados, segundo Markoff.

Michael Dell afirmou que no futuro poderemos ter "computadores pessoais descartáveis virtuais", acessados pela internet, o que iria minimizar a ameaça de uma infecção por vírus.

Hamadoun Toure acrescentou que, não importa qual seja a solução, a luta contra as botnets era uma "guerra" que poderia ser vencida apenas se todos os envolvidos - governos, empresas de telecomunicações, usuários e órgãos reguladores, fabricantes de programas e hardware - trabalharem juntos.

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