Argentina e Uruguai reabrirão diálogo sobre disputa

da BBC, em Londres

Após vários meses de disputas, os governos da Argentina e do Uruguai vão reabrir o diálogo sobre a construção de duas fábricas de pasta de celulose na fronteira entre os dois países.

O anúncio foi feito, nesta sexta-feira, pelo ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Angel Moratinos.

“Argentina e Uruguai abrirão diálogo direto”, disse Moratinos.

O primeiro encontro entre representantes dos dois países será realizado na capital espanhola, Madri, já que, a pedido do presidente argentino, Néstor Kirchner, a intermediação vinha sendo realizada pelo rei Juan Carlos, da Espanha, e seus representantes.

Mais protestos

O anúncio de Moratinos foi feito minutos depois que manifestantes argentinos informaram que voltarão a bloquear, neste sábado, os três únicos acessos terrestres entre Argentina e Uruguai durante cinco horas.

Desta vez, eles também organizam protesto, em barcos, pelos rios que separam os dois países – rio Uruguai e rio da Prata. O argumento dos manifestantes é de que as construções vão poluir o meio ambiente e afastar turistas da região.

Nos últimos tempos, o impasse marcou essa discussão sobre a construção de duas fábricas de papel – da espanhola Ence e da finlandesa Botnia.

A Ence desistiu, segundo a imprensa argentina, de erguer sua construção às margens do rio Uruguai. Do outro lado da margem, na cidade argentina de Gualeguaychú, manifestantes interrompem o trânsito para o Uruguai há mais de oitenta dias.

Já as obras da Botnia na cidade uruguaia de Fray Bentos, em frente a Gualeguaychú, estão quase prontas.

Diretores da empresa afirmaram que a esta altura não podem mais mudar as instalações de lugar. Por isso existe grande expectativa nos dois governos, entre manifestantes e investidores, para saber como o diálogo entre Argentina e Uruguai poderá avançar.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano, em entrevista à BBC Brasil, já sinalizava que o diálogo estava a caminho.

Mas ressaltou: “Uma coisa é dialogar e outra negociar. Nós reiteramos que qualquer negociação só será realizada se os manifestantes liberarem o trânsito ao Uruguai. Esse protesto prejudica nossa economia”.

Por causa da “guerra de papel” (como ficou conhecida a disputa), os presidentes Kirchner e Tabaré Vázquez, do Uruguai, não se falam há vários meses, apesar de o argentino ter apoiado em março de 2005 a eleição do uruguaio.

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