Lula tem vitória crucial no Congresso, diz jornal

da BBC, em Londres

A eleição de aliados para presidir o Senado e a Câmara dos Deputados foi decisiva para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na avaliação do diário argentino La Nación, nesta sexta-feira.

“Eles serão os encarregados de decidir a sorte de grande parte dos projetos do governo, entre eles seu Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um de seus pilares para este segundo mandato”, afirma a reportagem.

O jornal observa que o posto de presidente da Câmara, para o qual foi eleito o deputado Arlindo Chinaglia, do PT, é “de grande importância, já que é o segundo na linha sucessória do presidente, após o vice-presidente”.

“Além disso, o chefe da Câmara dos Deputados tem o poder de definir os temas que devem ser votados; por isso se converte em uma figura-chave para o avanço dos projetos do governo. Também é quem aceita ou rechaça eventuais pedidos de impeachment do chefe de Estado”, relata o jornal.

O diário comenta ainda que “Lula deu ontem outro passo importante em sua tentativa de reforçar a influência sobre o Poder Legislativo”, com a reeleição fácil de Renan Calheiros, do PMDB, para a presidência do Senado.

Outro jornal argentino, o Clarín, relata que o governo possui ampla maioria no novo Congresso, que assumiu na véspera, deixando livre o caminho para a aprovação do PAC.

“A coalizão do PT com o PMDB e outros dez partidos menores garante a Lula uma folgada maioria parlamentar”, diz o diário, observando que analistas consideram que isso “assegura um segundo mandato politicamente tranqüilo, pelo menos até 2008, quando começar novamente a esquentar o tema da eleição presidencial de 2010”.

Etanol nos EUA

Reportagem publicada pelo diário The Wall Street Journal nesta sexta-feira relata que, apesar das barreiras à importação de etanol nos Estados Unidos e dos incentivos à produção doméstica do produto, as compras americanas de álcool combustível do exterior vêm crescendo significativamente.

Segundo o jornal, isso ocorre porque “apesar da dura tarifa sobre a maioria do etanol embarcado do exterior, os importadores estão descobrindo que podem competir com o etanol doméstico em preço”.

“Alguns fornecedores estrangeiros, especialmente o Brasil, também podem prover etanol mais facilmente em alguns casos por causa de gargalos de transporte em algumas áreas dos Estados Unidos”, diz a reportagem.

Segundo o jornal, isso vem causando protestos entre os produtores americanos de álcool, obtido a partir do milho, que alegam que o uso de etanol estrangeiro apenas substituiria a dependência de petróleo de alguns países para a dependência de outros e chamam o Brasil de “Arábia Saudita do etanol”.

“O Brasil, que produz etanol de cana-de-açúcar ao invés de milho, é um dos mais eficientes produtores mundiais do biocombustível. As importações americanas de etanol brasileiro cresceram a 418 milhões de galões nos primeiros 11 meses de 2006, contra 31 milhões em todo o ano de 2005”, relata o jornal.

Segundo a reportagem, “as importações do Brasil têm sido atraentes porque o etanol importado pode ter o mesmo preço do produto americano ou até mesmo ser mais barato às vezes”.

Um galão de etanol feito de milho custaria cerca de US$ 1,90 por galão, enquanto o etanol brasileiro, incluindo os custos de transporte e as tarifas alfandegárias, sairia por US$ 1,75 o galão.

Opção duvidosa

Um editorial publicado pelo jornal britânico Financial Times nesta sexta-feira questiona a opção feita pelos Estados Unidos de estimular a produção e o consumo de etanol como meio de substituir o consumo de petróleo.

O jornal diz que “ao enfrentar problemas aparentemente insuperáveis, pode ser tentador recorrer ao álcool”, mas alerta que “o etanol usado como combustível cria tantas dores de cabeça quanto sua versão encontrada no uísque”.

O editorial observa que um dos problemas é a grande quantidade do produto necessária, levando a aumentos de preços no caso de um aumento da demanda, ou a uma crise de produção de alimentos se a produção crescer significativamente e mais áreas forem utilizadas para a produção de milho para etanol.

Além disso, o jornal questiona os benefícios ambientais do produto, dizendo que a produção de álcool consome grandes quantidades de combustíveis e fertilizantes, além do fato de muitas usinas americanas serem movidas a carvão, reduzindo ou eliminando suas vantagens nesse campo.

“O problema é muito vasto para admitir uma única solução: ao invés disso, precisamos buscar vigorosamente todas essas opções e ao mesmo tempo reconhecer suas limitações. Os biocombustíveis podem melhorar nossos problemas de emissões, mas, como outras formas de álcool, são um paliativo, não a cura”, conclui o editorial.

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