EUA vêem impasse sobre Doha, mas papel ativo do Brasil

da BBC, em Londres

A representante dos Estados Unidos para o Comércio, Susan Schwab, afirmou que os impasses entre Brasil, Estados Unidos e União Européia que levaram à paralisação das negociações da Rodada de Doha sobre liberalização do comércio mundial ainda continuam.

Mas, de acordo com Schwab, tem havido avanços envolvendo as diferentes partes nas negociações com vistas à Rodada de Doha e o Brasil tem desempenhado “um papel ativo”.

Os comentários de Susan Schwab foram feitos em um evento promovido em Washington nesta segunda-feira por representantes da indústria americana que defendem a renovação da chamada Trade Promotion Authority (TPA), o dispositivo, também conhecido como “fast track”, que permite ao Executivo negociar acordos de livre comércio sem a possibilidade de emendas pelo Congresso. A TPA vence no próximo dia 1º de julho.

Segundo a representante americana, a rodada de negociações chegou a um impasse em julho do ano passado devido a divergências “consideráveis” em temas como acesso a mercados agrícolas e a bens e serviços, “e essa continua sendo a natureza do impasse”.

A diferença, no entender dela, se deve ao fato de que vêm sendo travadas “intensas e detalhadas discussões bilaterais”, nas quais “o Brasil, a União Européia e os Estados Unidos têm desempenhado um papel ativo”.

De acordo com a representante americana, as discussões têm sido travadas entre “funcionários do alto escalão”, que vêm tratando de temas como exportações e comércio agrícola.

Pacote agrícola

Schwab afirmou que a “farm bill”, o pacote agrícola recentemente proposto pelo governo americano, não tem ligação com quaisquer propostas agrícolas que os Estados Unidos possam vir a apresentar para reviver a Rodada de Doha.

''As reformas propostas na farm bill foram feitas porque estamos buscando uma boa política agrícola. Ela não é e nem visa ser a nossa oferta para Doha. Nossas ofertas serão feitas em negociações ligadas à rodada'', comentou.

Recentemente, autoridades do Brasil e da União Européia fizeram restrições às metas contidas no pacote agrícola anunciado pelo presidente George W. Bush. O projeto propõe o corte de alguns subsídios oferecidos aos produtores rurais americanos.

“Fast track”

Em relação ao tema principal do evento, Schwab afirmou que “o fracasso em renovar a TPA indicaria ao mundo que os Estados Unidos perderam fé em Doha”. E acrescentou: “Não podemos deixar que isso aconteça”.

Schwab comentou que sua preferência seria por uma renovação do fast track que durasse até o final do mandato do atual presidente, no início de 2009.

“Quanto mais amplo, melhor, e quanto mais longo, melhor”, afirmou, ao responder a uma pergunta sobre o que acharia de uma renovação da TPA por um prazo limitado.

Muitos democratas no Congresso votaram contra a atual TPA, quando ela foi aprovada, em 2002. Na ocasião, a medida contou com o apoio de apenas 25 democratas.

A representante comercial disse que tem mantido encontros com republicanos e democratas e está confiante de que eles irão estender o fast track.


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