Entenda a questão nuclear da Coréia do Norte

da BBC, em Londres

As negociações envolvendo seis países sobre o programa nuclear da Coréia do Norte parecem ter chegado a um resultado, três anos depois de seu início e quatro meses depois de Pyongyang ter realizado um teste nuclear.

Entenda, abaixo, porque essa questão causou tanta preocupação na comunidade internacional.

Porque tantos países estavam preocupados com o poderio nuclear da Coréia do Norte?

O teste realizado pela Coréia do Norte em 9 de outubro veio depois de quatro anos de tensão entre o país e os Estados Unidos e foi visto como uma grande ameaça à paz e estabilidade no Leste asiático.

O teste garantiu um lugar para a Coréia do Norte no clube das potências nucleares e minou seriamente as esperanças de se chegar a um acordo para acabar com as ambições nucleares do país.

O incidente também aumentou os riscos de uma corrida armamentistas na região, com países como Japão e Coréia do Sul considerando a hipótese de buscar tecnologia de armas nucleares.

Porque a Coréia do norte decidiu realizar o teste?

O líder da Coréia do Norte, Kim Jong-il parece ter desistido de negociar e optado por uma demonstração de força.

Acredita-se que Jong-il deve ter partido da suposição de que os Estados Unidos não aceitariam as condições impostas pela Coréia do Norte para abandonar seu programa nuclear.

A mídia oficial norte-coreana vinha alertando que o desenvolvimento de armas atômicas seria a única forma de prevenir um ataque dos Estados Unidos.

Isolado, ainda mais depois de a China ter apoiado a imposição de sanções contra a Coréia do Norte em julho, Jong-il pode ter encontrado no teste a melhor solução para reafirmar sua autoridade em seu próprio país.

O que se sabe sobre o programa nuclear da Coréia do Norte?

A Coréia do Norte diz que tem armas nucleares e que está trabalhando na construção de um arsenal maior. O problema para o resto do mundo é a dificuldade de verificar estas afirmações.

A maioria dos especialistas em armamentos nucleares acreditava que o país não tinha um programa nuclear ativo – pelo menos até 1994, quando se assinou um tratado de suspensão de pesquisas relativas a esse tipo de armamentos.

Mas, em dezembro de 2002, Pyongyang reativou o seu reator nuclear em Yongbyon e expulsou do país dois monitores nucleares das Nações Unidas.

Desde então, não se sabe ao certo em que estágio está o programa nuclear norte-coreano.

Se o reator estava funcionando, supõe-se que teria sido possível enriquecer plutônio para se construir uma bomba por ano.

Mas segundo a agência de inteligência americana (CIA), um programa nuclear para enriquecimento de urânio estaria produzindo “duas ou mais” bombas por ano até o meio desta década.

Quantas armas nucleares a Coréia do Norte tem?

Sem as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, é difícil dizer. Os especialistas falam em um pequeno número de bombas, enquanto os Estados Unidos dizem que são “uma ou duas”.

Os Estados Unidos acreditam que cerca de 8.000 bastões de combustível nuclear armazenados em 1994 poderiam ser utilizados para a produção de plutônio.

A Coréia do Norte disse que já processou todo o combustível, embora os governos americano e sul-coreano não tenham tanta certeza.

A Coréia do Norte já tem capacidade de jogar uma bomba nuclear?

Apesar de o país ter aparentemente testado com sucesso um dispositivo nuclear, especialistas acreditam que a bomba não deve ser pequena o suficiente para poder ser transportada por um míssil.

Isso indica que a única forma de a Coréia do Norte jogar uma bomba seria usando aviões, que podem ser monitorados por militares de outros países.

No entanto, a Coréia do Norte já trabalha num programa de mísseis de longa distância. Isso pode fazer com que o Japão tenha que desenvolver um programa de defesa balística ou até mesmo um programa nuclear próprio, contra a vontade dos Estados Unidos.

Como a crise começou?

As relações entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte começaram a se deteriorar em janeiro de 2002, quando o presidente americano George W. Bush incluiu a Coréia do Norte no seu “eixo do mal”.

As tensões começaram a se escalar mesmo em outubro do mesmo ano, quando os Estados Unidos acusaram a Coréia do Norte de desenvolver, secretamente, um programa de armas nucleares.

Desde então, a Coréia do Norte retomou as atividades de sua principal usina nuclear, expulsou inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e se retirou do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), do qual era signatária.

Que diferença há entre a crise da Coréia do Norte e a do Iraque, por exemplo?

Os casos são diferentes. Os asiáticos são isolados e têm sérios problemas domésticos. Dois aliados americanos – Japão e Coréia do Sul – se esforçam para tentar uma aproximação com o regime de Pyongyang.

Além disso, o Iraque, antes da invasão liderada pelos Estados Unidos, não tinha armas nucleares, e a derrubada de Saddam Hussein também visava evitar que ele adquirisse tal poder. Com Pyongyang, a alternativa que resta é gerenciar a situação.

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