Para EUA, visita de Bush intensifica 'relação privilegiada' com Brasil

da BBC, em Londres

O subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado americano, Nicholas Burns, disse que os Estados Unidos mantêm com o Brasil uma relação privilegiada, similar à que o país desfruta junto a Japão e Índia, e que a visita do presidente George W. Bush ao país, em março, pode intensificar essa relação.

Durante uma entrevista coletiva em Washington, nesta terça-feira, Burns afirmou que a relação entre os dois paises é “baseada em uma agenda global, similar à que temos com poucos outros, como Japão, Índia e União Européia”.

Segundo o subsecretário, a visita do líder americano pretende intensificar essa relação e solidificar o compromisso de fazer de 2007 o que chamou de “o ano de compromisso dos Estados Unidos com a América Latina”.

Burns, que esteve no Brasil na semana passada, disse que a visita do presidente dos Estados Unidos, assim como a de várias autoridades americanas nos próximos meses, integra um “esforço deliberado, coordenado e diplomático para demonstrar que queremos uma boa relação com a América Latina”.

Etanol

O subsecretário disse que parcerias em etanol, que foram firmadas durante a sua visita, deverão estar entre os principais tópicos da viagem presidencial.

“Brasil e Estados Unidos são responsáveis por 70% da produção mundial de etanol. E os dois países precisam tornar a pesquisa e o desenvolvimento do biocombustível mais eficiente. Temos que tentar criar um mercado regional e global mais dinâmico.”

Burns não quis dar detalhes sobre a revelação feita pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, de que os dois países pretendem fechar uma parceria ligada ao etanol em um projeto a ser realizado no Caribe.

“Vocês terão de ser pacientes”, afirmou o subsecretário, despertando risos dos presentes.

Pan-americanismo

Burns voltou a defender o que chamou de “pan-americanismo do século 21”, termo que cunhou durante sua visita à América Latina.

Indagado pela BBC Brasil se o conceito seria uma resposta ao bolivarismo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ele respondeu com bom humor.

“Quero tentar convencer você, não fazemos tudo pensando em Hugo Chávez, não vamos dormir pensando nele e não estamos obcecados com ele. Todos sabem o que ele é e o que ele representa. Nós representamos algo diferente. Representamos um agenda positiva, que é a agenda necessária para sermos bem-sucedidos.”

“Se quisermos ter sucesso em temas como mudança climática, tráfico de mulheres e crianças ou narcotráfico, precisamos trabalhar com outros países”, afirmou Burns, acrescentando que “a Venezuela optou por se isolar, nós não isolamos a Venezuela”.

Recentemente, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que Hugo Chávez estava destruindo a Venezuela, e o vice-secretário de Defesa dos Estados Unidos, John Negroponte, disse que o líder venezuelano representa uma ameaça à democracia latino-americana.

Burns comentou que “obviamente” a relação americana com Cuba e a Venezuela não é boa, mas acrescentou que o governo americano “estendeu a mão” para outros governos de esquerda latino-americanos, como o de Daniel Ortega, na Nicarágua, o de Rafael Correa, no Equador, e o de Evo Morales, na Bolívia.

O presidente George W. Bush deve chegar ao Brasil no próximo dia 8 de março e permanece no país até o dia seguinte. Ele irá também para Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.


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