Presidente afegão descarta ameaça do Talebã

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta quinta-feira em entrevista à BBC que o grupo insurgente Talebã não representa uma ameaça de longo prazo à estabilidade do país.

As declarações de Karzai foram feitas um dia depois de um porta-voz do Talebã, Zabiyullah Mujahed, ter dito em entrevista à BBC que o grupo está modificando suas táticas no Afeganistão para aumentar o número de ataques na capital, Cabul.

Segundo Karzai, líderes do Talebã e da rede Al-Qaeda já foram expulsos e não podem desafiar seriamente o governo afegão.

"Tudo o que eles podem fazer é explodir bombas, e eles não têm coragem de verdade para nos confrontar", disse Karzai. "Então, não é uma ameaça à sobrevivência do Afeganistão, de seu governo, de seu objetivo futuro." O presidente afegão disse acreditar nas declarações do porta-voz do Talebã quando este afirmou que o grupo está repetindo no Afeganistão as mesmas táticas usadas por insurgentes no Iraque.

No entanto, Karzai afirmou que o Iraque e o Afeganistão têm "duas histórias muito diferentes" e que os afegãos querem a ajuda de outros países para conquistar estabilidade.

"Há uma comparação nos países ocidentais, que simplifica as coisas, mas não é o mesmo", disse o presidente.

Ao afirmar que a atual violência está devastando civis afegãos, Karzai se referiu tanto à ofensiva do Talebã quanto às mortes causadas pelas forças internacionais.

"Todo esforço deve ser feito para que isso acabe... cada detalhe deve ser cuidado para que os civis deixem de ser mortos", disse. "Este é um sofrimento que está ficando para nós cada vez mais difícil de aceitar ou entender." De acordo com agências de assistência que atuam no Afeganistão, somente neste ano as forças estrangeiras e afegãs foram responsáveis pela morte de pelo menos 230 civis.

Há atualmente duas missões internacionais no Afeganistão. As forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reúnem 37 mil soldados de 37 países e têm o objetivo de ajudar o governo afegão no estabelecimento da segurança, do desenvolvimento e de melhor governabilidade.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos tem uma missão antiterrorismo e envolve principalmente foças especiais.

Na entrevista à

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