Chirac é interrogado em caso de empregos fantasmas em Paris

O ex-presidente francês Jacques Chirac foi interrogado nesta quinta-feira pela Justiça durante quase quatro horas em um processo que apura a criação de cargos fantasmas na época em que ele era prefeito de Paris (1977-1995).

Esses empregos de fachada teriam sido criados para financiar seu partido político, o antigo RPR (Reunião para a República), atual UMP (União Para a Maioria Presidencial).

Essa é primeira vez na história da França que um ex-presidente é interrogado pela Justiça. A audiência com o juiz estava sendo mantida em segredo, mas a informação acabou vazando para a imprensa francesa.

Chirac foi ouvido pelo juiz como "testemunha assistida por um advogado", estatuto intermediário, segundo a lei francesa, entre o de simples testemunha e o de um acusado já indiciado.

No caso da testemunha assistida, existem suspeitas ainda não comprovadas e a pessoa corre o risco de ser indiciada.

Chirac foi prefeito de Paris durante 18 anos, entre 1977 e 1995, ano em que foi eleito presidente.

No esquema dos empregos fantasmas da prefeitura da capital, no qual algumas pessoas já foram condenadas pela Justiça, salários de funcionários fantasmas eram utilizados para pagar, na realidade, membros da máquina administrativa do RPR.

Em 2005, o UMP, atual RPR, reembolsou quase 900 mil euros à prefeitura de Paris.

Em um artigo de opinião publicado no jornal Le Monde, Chirac diz que "é muito normal que ele preste esclarecimentos à Justiça" sobre o assunto e se diz pronto também a "testemunhar diante da opinião pública".

No artigo, intitulado Financiamento político: o que eu quero dizer aos franceses, Chirac explica a forma como ele, antigo presidente do RPR, tratou a questão dos recursos de seu partido antes da lei que regulamentou, em 1995, o sistema de financiamento público no país.

O ex-presidente reconhece que existiam práticas "ocultas" para financiar os partidos políticos e as campanhas eleitorais na França até 1995, ano em que assumiu a presidência. Chirac lembra que entre 1988 e 1995 três leis foram adotadas para regulamentar os recursos dos partidos políticos e que somente a partir de 1995 as regras se tornaram efetivamente transparentes.

"Foi somente em 1995 que nós chegamos ao que me parece ser a melhor solução: a proibição de qualquer tipo de financiamento ou doação por parte das empresas", escreve o ex-presidente.

Os gastos das campanhas eleitorais são financiados hoje na França quase que integralmente com recursos públicos. Pessoas físicas também podem fazer doações, mas os valores não podem ultrapassar 4,6 mil euros (cerca de R$ 12 mil).

"Em um espírito de clareza e de responsabilidade, quero lembrar precisamente esse contexto histórico aos juízes. E que como presidente do RPR eu quis que fossem abandonadas as práticas antigas de financiamento do partido. É isso que pretendo explicar aos juízes", reiterou Chirac.

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