"Não estou preocupado com pesquisa", diz Lula no México

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao chegar à Cidade do México, neste domingo, que "não está preocupado com a pesquisa" e que o povo tem percebido "as conquistas da sociedade".

"A mim não me preocupa pesquisa. O que me preocupa na verdade é que as coisas no Brasil estão indo, os números de economia estão mais do que satisfatórios. Acredito que o Brasil entrou definitivamente no caminho do crescimento econômico e do desenvolvimento e acho que o povo tem sentido isso. O povo tem percebido isso porque isso termina resultando em conquistas diretas da sociedade", afirmou o presidente ao ser questionado pelos jornalistas sobre o resultado da pesquisa Datafolha publicada também neste domingo.

A pesquisa mostra que a popularidade do presidente se manteve estável, mesmo com as críticas que ele recebeu após o acidente com o avião da TAM. De acordo com o Datafolha, 48% dos entrevistados consideram o governo Lula ótimo ou bom, o mesmo índice da pesquisa anterior, em março.

Inicialmente, o presidente disse que não queria comentar o assunto porque não havia visto a pesquisa e sugeriu que os jornalistas conversassem com o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. Diante da insistência dos jornalistas, acabou falando. O presidente chegou à Cidade do México pouco depois das 18h no horário local (20h de Brasília) e não teve compromisso oficial. Ele se encontrou no hotel com a primeira-dama Marisa Letícia, que já estava na cidade desde quarta-feira, a convite do governo mexicano, para conhecer os museus e sítios arqueológicos da cidade.

Lula disse que a visita ao México é "extremamente importante". "Nós queremos que o México cada vez mais se aproxime da América Latina e da América do Sul. Temos trabalhado isso", afirmou o presidente. Questionado sobre a possibilidade de os dois governos firmarem um acordo para a isenção de visto para cidadãos dos dois países - como acontecia até 2005, quando o México passou a exigir visto dos brasileiros - o presidente deu a entender que o assunto será tratado entre as delegações.

"Tudo isso faz parte de uma nova discussão com o México. Acho que há a disposição de avançarmos e não criarmos problemas para tanto os mexicanos que vão ao Brasil como para os brasileiros que vão para o México", afirmou o presidente.

Lula disse que os dois países estão vivendo um outro momento, e que é preciso aproveitar. "Aproveitar este bom momento em que o mundo está percebendo que quanto mais abrirmos a nossa fronteira, mais chance teremos de atrair não apenas mais investimento como fazer o entrelaçamento cultural, turístico. É para isso que estou aqui. Estou aqui para vender a imagem do Brasil, os produtos brasileiros e para comprar os produtos do México", afirmou.

Num artigo publicado neste domingo no jornal mexicano El Universal, o presidente destaca a importância da integração regional e faz uma referência indireta ao muro que os Estados Unidos planejam construir na fronteira com o México.

"Em nosso continente não necessitamos muros. Necessitamos estradas, pontes, gasodutos e linhas de transmissão. A verdadeira integração para que circulem livremente não apenas mercadorias e serviços, mas também pessoas e idéias", diz Lula.

Ele destaca também o papel de Brasil e México como interlocutores no cenário internacional, assumindo o papel de representantes dos pontos de vista dos países em desenvolvimento.

Um discurso no encontro de empresários mexicanos e brasileiros, organizado pela Confederação Nacional da Indústria e pela associação mexicana equivalente, é o primeiro compromisso do presidente Lula no México nesta segunda-feira.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, cobrou um maior empenho do governo brasileiro para negociar a ampliação dos itens que integram o Acordo de Complementação Econômica entre Brasil e México, de redução de tarifas de importação dos dois lados.

Em vigor desde 2003, o acordo tem atualmente 796 produtos, com redução de tarifas entre 20% e 100% em relação às cobradas de outros países.

A CNI também propõe também o corte de 30% em todas as tarifas de importação entre os dois países. O comércio entre os dois países já dobrou entre 2002 e 2006, mas pode crescer ainda mais se tivermos competência e agilidade para adequar os instrumentos que permitam esse crescimento", afirmou Monteiro Neto.

Depois do encontro com os empresários, o presidente inicia a parte política da viagem. O primeiro compromisso é uma cerimônia de oferenda floral no Altar da Pátria e um encontro com o presidente Felipe Calderón no palácio nacional.

Depois do almoço, que será oferecido por líderes parlamentares, Lula visita a sede do governo do Distrito Federal e o Senado, onde participa de uma sessão solene. À noite, será o homenageado de um jantar no Castelo de Chapultepec.

Na terça-feira de manhã, o presidente parte para Honduras, e no fim do dia para a Nicarágua.

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