Defeitos em bebês elevam temor por uso de talidomida no Brasil, diz 'FT'

O nascimento de ao menos três crianças no Brasil com graves deficiências físicas provocadas pelo uso do medicamento talidomida nos últimos dois anos vem "gerando novos questionamentos sobre a contínua autorização do uso da droga 46 anos após sua retirada do mercado", afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário econômico Financial Times.

O jornal cita um artigo publicado na revista científica Birth Defects Research que relata os três casos brasileiros e sugere que há falhas na fiscalização do uso da talidomida no país.

O medicamento, que era usado como sedativo, foi retirado do mercado em 1961 após a indicação de que ele provocada graves defeitos nos bebês.

O Financial Times observa, porém, que a partir de meados dos anos 1960 a talidomida passou a ser receitada em muitos países em desenvolvimento para tratar complicações da lepra (hanseníanse).

"Entretanto, desde o começo desta década a Organização Mundial da Saúde e a Organização Pan-americana de Saúde pediram sua substituição como tratamento das complicações da lepra por alternativas que elas distribuem gratuitamente", informa a reportagem.

Segundo o jornal, a mudança de diretriz foi provocada "por crescentes evidências de defeitos de nascença em bebês de mulheres que haviam tomado o remédio no início da gravidez, incluindo dados da Índia e da África, e 33 casos confirmados no Brasil entre 1965 e 1994".

"Os últimos três casos, os primeiros oficialmente reconhecidos no Brasil por mais de uma década, ressaltaram o risco ainda existente", diz a reportagem.

O jornal relata que uma das crianças nasceu de mãe que recebia tratamento para hanseníase, e que as outras duas eram de mães com parentes que recebiam o tratamento, sugerindo que elas haviam tomado o remédio por conta própria, como sedativo.

"Nos países desenvolvidos, a talidomida é usada para tratar o mieloma múltiplo, um tipo de câncer da medula óssea, e algumas outras doenças, mas sob estrita supervisão", observa o texto.

O diretor do departamento de medicamentos do Ministério da Saúde, Dirceu Barbalho, defendeu, em declarações ao Financial Times, o uso da talidomida. Segundo ele, "o Brasil tem melhorado o controle do uso da droga, minimizando o risco o máximo possível".

Porém o jornal comenta que o chefe do programa de lepra da Organização Mundial da Saúde, Vijaykumar Pannikar, argumentou em um artigo publicado em 2003 que "a experiência vem mostrando que é virtualmente impossível desenvolver um mecanismo de fiscalização à prova de erros para combater o mau uso da talidomida".

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