Chávez rompe relações com governo de Uribe

Após haver "congelado" as relações entre Caracas e Bogotá, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu com o governo colombiano, ao afirmar nesta quarta-feira que, enquanto Álvaro Uribe for presidente, ele não manterá "nenhum tipo de relação" com a Colômbia. "Enquanto Uribe for presidente da Colômbia não terei nenhum tipo de relação nem com ele nem com o governo da Colômbia. Não posso, por dignidade", disse Chávez, em um ato público nesta quarta-feira, no Estado de Táchira. As declarações de Chávez intensificam a crise diplomática entre os dois países, que teve início na semana passada, quando Uribe deu por encerrada a mediação de Chávez na busca de um acordo humanitário com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Chávez disse que não podia manter relações com um presidente que utiliza "argumentos indignos, um presidente que é capaz de mentir descaradamente, desrespeitar outro presidente (...) que chamou para ajudá-lo". A decisão de Chávez preocupa empresários dos dois países, em especial os colombianos, que mantêm uma balança comercial favorável. Poucas horas depois do discurso de Chávez, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, amenizou as declarações do presidente e disse que seu governo "está avaliando com muito cuidado a situação". Nesta terça-feira, Chávez já havia chamado Uribe de "peão do império" e retirado seu embaixador em Bogotá. Para o líder venezuelano, Uribe o retirou das negociações com as Farc por obedecer orientações do governo dos Estados Unidos. Desde agosto, Chávez vinha atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca de um acordo humanitário que permitisse que 45 reféns fossem soltos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos. Entre os reféns em poder das Farc está a senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt. O presidente venezuelano afirmou que, com sua mediação, se estava a ponto de conseguir a libertação de um grupo de reféns. "Quando estávamos a ponto de conseguir, (Uribe) me mandou um comunicado (...), uma patada", disse. "Estávamos a ponto de que (Manuel) Marulanda entregasse um primeiro grupo. Antes do final do ano já teríamos terminado", disse Chávez. Uribe disse que tomou a decisão de encerrar a mediação porque Chávez teria falado por telefone com o comandante do Exército colombiano, Mario Montoya, desrespeitando assim um acordo entre os dois, segundo o qual o líder venezuelano não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano. A decisão acabou com a esperança dos familiares dos seqüestrados, que viam no acordo humanitário uma possibilidade de libertação dos reféns. Chávez atribuiu o seu afastamento das negociações com as Farc à pressão norte-americana e da elite colombiana sobre o presidente Uribe. O governo da Venezuela acusou Uribe de "não estar interessado na paz na Colômbia".

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