Funcionários da Ópera de Paris mantém greve e causam cancelamentos

Mais de 17 espetáculos da famosa Ópera de Paris deixaram de ser encenados nas últimas seis semanas devido à greve dos funcionários públicos da França, que, ao contrário dos funcionários do setor de transportes, mantiveram sua paralisação em protesto contra as reformas no sistema de aposentadoria propostas pelo governo. O cancelamento de espetáculos populares como o balé O Quebra-Nozes e a ópera La Traviata já provocou prejuízos de mais de três milhões de euros (cerca de R$ 8 milhões). Segundo o diretor da Ópera de Paris, Gerard Mortier, a instituição já teve de reembolsar os ingressos de mais de 47 mil espectadores. "Se a paralisação durar, os prejuízos podem chegar a sete milhões de euros" (R$ 18,2 milhões), diz Mortier.

A paralisação é motivada pela proposta de reforma dos regimes de aposentadorias especiais de algumas categorias do funcionalismo público francês, entre elas a dos funcionários da Ópera. Como os funcionários dos transportes públicos, os artistas e técnicos de som e luz da Ópera de Paris também se beneficiam do regime, criado para compensar condições de trabalho tidas, na frança, como mais difíceis.

De acordo com o regime, os dançarinos da Ópera de Paris podem se aposentar aos 40 anos de idade e, os técnicos, aos 55 anos.

A maior parte dessas aposentadorias especiais foi criada após a Segunda Guerra, mas no caso dos 1,6 mil funcionários da Ópera de Paris, o regime data da época de Luís XIV, no século 17.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, quer aumentar o tempo de contribuição dessas categorias de 37,5 anos para 40 anos de trabalho, como já ocorre no funcionalismo em geral e no setor privado.

Os funcionários dos transportes realizaram uma primeira greve no dia 18 de outubro e depois paralisaram a França durante nove dias em novembro, mas já retornaram ao trabalho.

No caso da Ópera, a maioria dos sindicatos da categoria já decidiu nos últimos dias retornar ao trabalho e aceitou realizar negociações. Apenas dois deles, que representam os técnicos de som, luz e decoração, rejeitam as reformas e decidiram manter a greve até 20 de dezembro. Caso a paralisação seja mantida, deve ameaçar a realização de algumas estréias, como a da Ópera de Wagner Tannhäuser, prevista para a próxima quinta-feira.

Segundo a direção da Ópera, Tannhäuser poderá ser apresentada, mas somente na versão para concerto, sem os cenários.

A Ópera de Paris (que reúne a Ópera Garnier e a da Bastilha) propôs aos funcionários um ano e meio de trabalho suplementar para manter os valores das aposentadorias. A proposta, no entanto, continua em negociação.

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