ONG registra maior número de jornalistas mortos em 13 anos

Pelo menos 86 jornalistas foram mortos por causa de seu trabalho em todo o mundo em 2007, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris.

Segundo a organização, este número é o maior desde 1994, quando muitos jornalistas morreram durante o genocídio de Ruanda. Em 2006, 85 jornalistas foram mortos. O país com o maior número de mortes de jornalistas no ano passado foi o Iraque, com 47, de acordo com a organização. No Brasil, a ONG registrou apenas uma morte.

Com exceção de um repórter russo, todos os jornalistas que morreram no Iraque eram iraquianos. A organização afirma que o governo do país tem demonstrado uma inércia alarmante e que a única medida até agora foi permitir que os jornalistas andem armados, para se defender.

"Em nenhum outro país houve tantos jornalistas mortos como no Iraque, com pelo menos 207 trabalhadores da imprensa morrendo desde a invasão americana em março de 2003 - mais do que na Guerra do Vietnã, nos combates na antiga Iugoslávia e nos massacres da Argélia e de Ruanda", diz um comunicado da Repórteres sem Fronteiras.

Seqüestros Nos últimos cinco anos, o número de jornalistas mortos em todo o mundo aumentou em 244% e cerca de 90% dos assassinatos desses profissionais ficam sem solução, diz a Repórteres Sem Fronteiras.

A organização também afirma que 67 jornalistas foram seqüestrados, 887 foram presos, 1.511 foram atacados ou ameaçados fisicamente e 528 empresas de comunicação foram censuradas no ano passado. Pelo menos 14 jornalistas permanecem em poder de seqüestradores, todos no Iraque.

Diferentemente de outras organizações, a Repórteres sem Fronteiras só contabiliza a morte de jornalistas que comprovadamente foram assassinados por causa de seu trabalho. O grupo afirma que muitas mortes não foram incluídas no cálculo porque ainda estão sendo investigadas, ou porque não estão diretamente conectadas à liberdade de imprensa.

Também no ano passado, 37 bloggers foram presos e 2.676 sites foram fechados em 2007, cerca de 2,5 mil deles na China, às vésperas do Congresso do Partido Comunista.

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