Estudo identifica duas espécies de dinossauros carnívoros

Duas espécies até hoje desconhecidas de dinossauros carnívoros foram identificadas a partir de fósseis desenterrados no deserto do Saara, em Níger.

Os fósseis foram analisados pelo pesquisador Steve Brusatte, da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, que trabalhou em parceria com especialistas americanos.

Um dos dinossauros provavelmente saía à cata de restos de animais mortos como fazem as hienas. O outro caçava animais vivos.

Os detalhes sobre as descobertas foram publicados na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Os restos fossilizados dos dois carnívoros - que têm idades aproximadas de 110 milhões de anos - foram encontrados na fronteira oeste de uma região do Saara conhecida como deserto do Teneré pelo pesquisador Paul Serano, da Universidade de Chicago, há oito anos.

"Eles são o registro mais antigo dos dois principais grupos que iriam dominar a África, a América do Sul e a Índia nos 50 milhões de anos seguintes, no período Cretáceo", disse Brusatte.

Rosto Escondido Um dos fósseis mede cerca de oito metros de comprimento e tinha uma tromba curta protegida por uma cobertura áspera.

Ele foi batizado de Kryptops Palaios, que quer dizer "velho rosto escondido".

Como outros membros desse grupo de dinossauros - conhecidos como abelissauros - que viveram na América do Sul e na Índia, ele tinha mandíbulas curtas e dentes pequenos, adaptados para devorar vísceras e triturar carcaças.

O outro fóssil descoberto, com proporções semelhantes e contemporâneo do primeiro, foi batizado de Eocarcharia Dinops, ou "tubarão de olhos ferozes".

Ele possuía dentes em forma de lâminas e uma formação óssea proeminente na região das sobrancelhas. Ao contrário do Kryptops, seus dentes eram mais adaptados para atacar presas vivas e decepar partes de seus corpos.

O grupo dos carcarodontossauros - a que pertence o Eocarcharia - incluía predadores tão grandes ou até maiores do que o Tyrannosaurus rex.

A sobrancelha ossuda sobre seu olho dava ao Eocarcharia uma aparência ameaçadora e pode ter sido usada para bater em rivais durante rituais de acasalamento, segundo um dos pesquisadores.

Esses dois animais eram contemporâneos de outro dinossauro carnívoro que habitou a mesma região: o Suchomimus, que se alimentava de peixe.

"Sua anatomia mostra que eles comiam coisas diferentes", disse Brusatte. "O Suchomimus comia peixe, os Kryptops comiam animais menores, e o Eocarcharia era o maior predador do período." "Como na savana africana hoje, leões, leopardos e hienas precisam comer alimentos diferentes para sobreviver lado a lado", acrescentou. "É fascinante observar isso em um ecossistema de 110 milhões de anos."

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