Greve tira 'Le Monde' das bancas após 32 anos

Os funcionários do renomado jornal francês Le Monde estão em greve nesta segunda-feira pela primeira vez em 32 anos. A paralisação é um protesto contra o plano de recuperação econômico da empresa, que prevê 130 demissões e também a venda de revistas deficitárias ou consideradas "não estratégicas".

Entre as demissões previstas no plano estão a de 80 ou 90 jornalistas, o que corresponde a 25% da redação do Le Monde.

O jornal de terça-feira, que chegaria às bancas no início da tarde desta segunda, não circulou. Os funcionários do site do jornal na internet, que pertence à outra filial, informaram que não vão publicar as notícias que estariam no conteúdo desta edição.

Ajuste
O plano de ajuste econômico foi apresentado pela direção do grupo Le Monde na semana passada. Os sindicatos rejeitaram as medidas anunciadas em uma assembléia geral realizada nesta segunda-feira.

Durante a reunião, os empregados anunciaram que exigem um novo plano de recuperação da empresa, que incluiria demissões voluntárias e não impostas, além do abandono do projeto de venda de filiais.

Entre as empresas que devem ser vendidas pelo grupo Le Monde, estão as editoras Fleurs Presse, de publicações juvenis, a renomada revista Cahier du Cinéma e a publicação mensal Danser.

Em 2007 o grupo Le Monde já havia vendido sua rede de jornais regionais. Também no ano passado, a tiragem do jornal aumentou 1,5%, para 316,9 mil exemplares, após uma queda de 2,6% em 2006.

Apesar do aumento na tiragem, o grupo registrou prejuízos de 20 milhões de euros (R$53 mi) em 2007, e acumula uma dívida que totaliza 150 milhões de euros (R$ 400 mi).

Dificuldades
Os jornais franceses enfrentam dificuldades devido à queda de receitas publicitárias, que foram desviadas para sites na internet.
Para contornar o problema, os grandes diários ampliaram seus sites para atrair novamente os anunciantes que estão preferindo investir na internet do que na imprensa escrita.

A direção do jornal Le Figaro, outra importante publicação em circulação na França, anunciou recentemente aos seus funcionários que prepara um plano que prevê demissões voluntárias para reduzir os custos fixos da empresa.

O plano ainda não foi totalmente definido, mas, segundo informações que circulam na redação do Le Figaro, a direção espera obter pelo menos 80 demissões voluntárias - metade delas na redação e a outra metade no setor administrativo.

Os jornalistas do Le Monde devem realizar uma nova assembléia na quarta-feira para discutir a estratégia em relação aos protestos contra as demissões no jornal.

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