Opositores de referendo queimam urnas e bloqueiam estradas na Bolívia

Marcia Carmo
Enviada especial da BBC Brasil a Santa Cruz de la Sierra

Opositores do referendo para decidir sobre a autonomia do Departamento (Estado) de Santa Cruz, na Bolívia, queimaram urnas e bloquearam estradas na madrugada deste domingo, horas antes do início da votação.

As urnas foram destruídas em fogueiras improvisadas pelo moradores da cidade de Yapacaní, a mais de 100 quilômetros da capital Santa Cruz de la Sierra, reduto do presidente Evo Morales.

Em San Julian, também distante da capital, todas as estradas de acesso ao local foram bloqueadas durante a madrugada, com troncos, pneus e lixo.

"Aqui não vota ninguém", disse um dos líderes do protesto diante das câmeras de TV.

O presidente da Corte Eleitoral de Santa Cruz, Mario Parada, disse, durante a cerimônia de abertura da votação, às 8h da manhã (9h de Brasília), que as urnas destruídas serão substituídas.

"Até agora podemos dizer que são fatos isolados e a votação ocorre, na maior parte dos locais, com tranqüilidade", disse Parada.

Acusações
Quando perguntado sobre as acusações de líderes comunitários de San Julian de que as urnas teriam chegado aos locais de votação cheias de cédulas marcadas com o "sim" pela autonomia, ele reagiu: "Por favor, não nos desrespeitem. Esse é um processo democrático".

No bairro Plano 3 mil, reduto governista em Santa Cruz de la Sierra, jovens defensores da autonomia estão fazendo segurança voluntária nos pontos de votação para evitar que urnas sejam queimadas.

No centro da capital, no entanto, a situação era tranqüila poucas depois do início da votação.

Seguidores de Morales estão concentrados em praças nos Departamentos de Cochabamba e em outros locais, como em Oruro, terra de Morales, à espera dos acontecimentos em Santa Cruz.

As urnas ficam abertas até às 18h (19h de Brasília) e os primeiros resultados de boca de urna devem ser divulgados duas horas depois.

Defesa nacional
Num comunicado lido no fim da noite de sábado, e exibido pelas principais emissoras de televisão, o comando das Forças Armadas da Bolívia afirmou que o projeto de autonomia de Santa Cruz afeta a "segurança e a defesa nacional".

O comandante das Forças Armadas, general Luis Trigo, citou artigos do estatuto que, segundo ele, tratam de assuntos de responsabilidade do governo e do comando militar.

"São medidas que atentam contra a segurança e a defesa nacional porque legislam sobre temas de transporte e ordem pública", disse Trigo.

Ele afirmou ainda que o estatuto traz artigos que abordam a área das comunicações, "também de atribuição militar", disse.

No comunicado, lido em La Paz, foi criticada a proposta de se criar uma "força pública" (polícia própria), que seria aprovada pela Assembléia Legislativa Departamental.

O general Mario Ayala, que representa o Conselho Supremo de Defesa Nacional (Cosdena) disse, pela segunda vez em três dias, que os militares "não apóiam o referendo", considerado "ilegal" pelo presidente Morales.

Ayala disse que teme por "focos de violência" e destacou que as Forças Armadas só atuarão "em casos extremos".

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