Chávez encerra mal-estar com chanceler alemã

Depois de uma semana de troca de farpas, o presidente da Venezuela Hugo Chávez selou o mal-estar diplomático ocasionado com a chanceler alemã Angela Merkel com um beijo e um pedido de desculpa. Chávez e Merkel se reconciliaram logo depois da foto oficial dos Chefes de Estado que participam da 5ª Cúpula da América Latina, Caribe e União Européia, em Lima. "Não vim brigar aqui. Me deu muita satisfação dar a mão à chanceler alemã, nos demos um beijo", disse Chávez na tarde desta sexta-feira. "Ela disse algo por lá e eu respondi. Cristina (Kirchner, presidente da Argentina) estava ali, dei um beijo nela e na chanceler alemã, a quem disse que se fui muito duro perdoa-me, aqui está minha mão", acrescentou. O mal-estar diplomático teve início no sábado, quando Merkel disse que Chávez não era a única voz da América Latina e que tampouco representava os interesses de todos os países da região. Chávez respondeu à chanceler comparando-a com o líder nazista Adolf Hitler. Combate à pobreza O comportamento de Chávez contrariou o diagnóstico de Cúpulas anteriores. Seu governo se limitou a discutir sua proposta de criar um fundo de combate à pobreza - para o qual o presidente venezuelano se comprometeu a destinar US$ 1 milhão diários - deixando em segundo plano, inclusive, a briga com seu vizinho colombiano, Álvaro Uribe a quem ameaçou rever profundamente as relações políticas e econômicas entre Venezuela e Colômbia. A divulgação do informe da Interpol - que certifica que as autoridades colombianas não alteraram arquivos encontrados no computador das Farc - não teve destaque na Cúpula. Na véspera, Chávez qualificou como um "show de palhaços" o conteúdo do documento da Interpol e acusou o presidente do organismo, Arturo Herrera, de ter participado de uma operação ordenada pelo ex-ditador Augusto Pinochet entre 1975 e 1976 para encobrir violações de direitos humanos. A acusação contra Herrera, que também é chefe da Polícia de Investigação chilena foi rebatida pelo governo de Santiago que disse que "Chávez estava mal informado". Na Cúpula, aparentemente, o assunto tampouco foi repercutido. Sem novidades A 5ª Cúpula de Chefes de Estado não chegou a nenhum resultado concreto em relação ao combate à pobreza, à desigualdade e para frear o aquecimento global, eixos principais do encontro.

A única referência pública sobre a crise da inflação dos produtos agrícolas e os biocombustíveis foi feita pelo presidente do Peru Alan Garcia que pediu a seus colegas cooperação para que "não caia sobre nós a vergonha de não ter feito algo concreto" disse Garcia na cerimônia de abertura da Cúpula. "Alguns podem dizer que não é responsabilidade da mudança de cultivo para os biocombustíveis, poderão dizer que é fruto do aumento do consumo dos grandes povos (...) mas o fato é que milhões de seres humanos estão ameaçados pela fome", acrescentou. Os jornalistas foram isolados da cobertura do encontro. Sem acesso ao local de reunião dos chefes de Estado, não foi possível conhecer o conteúdo das oito mesas de trabalho que foram organizadas para orientar as políticas comuns entre os dois continentes. Itaipu Sobre Itaipu um dos pontos previstos na agenda do presidente Lula e do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, não houve avanços. Durante uma entrevista coletiva, a mais concorrida do encontro, Lugo voltou a reivindicar que o Brasil pague a energia de Itaipu a preço de mercado e não preço de custo como tem sido praticado. "Hoje em dia vendemos a energia a preço de custo e reclamamos que seja a preço de mercado. Nenhum país dá seu bem natural a preço de custo (...) O Paraguai é um dos poucos países que dá sua energia a preço de custo", disse.

De acordo com Lugo, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia deverá visitar o Paraguai logo depois de sua posse, prevista para 15 de agosto, para instalar uma mesa de diálogo sobre o tratado de Itaipu. Por enquanto, a posição defendida pelo governo brasileiro é a de que o tratado não é passível de revisão.

O tratado de Itaipu estabelece que cada país é dono de 50% da energia produzida pela usina e que o Paraguai deve vender sua produção excedente ao Brasil, limitando a oferta a terceiros.

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