Morales perde nova eleição regional na Bolívia

Mery Vaca Da Bolívia para a BBC Mundo

Resultados eleitorais preliminares indicam que o presidente da Bolívia, Evo Morales, perdeu mais espaço político no país, se se confirmar a vitória da oposição no Departamento (Estado) de Chuquisaca neste domingo.

Pesquisas de boca-de-urna citadas pelas redes de TV ATB e Unitel indicam que a opositora Savina Cuéllar obteve 56% dos votos na corrida para a Prefeitura (governo) de Chuquisaca, à frente dos 40% alcançados pelo rival e candidato governista, Walter Valda.

Entretanto, o Departamento ficou praticamente dividido, porque, embora a candidata tenha ganhado em Sucre, capital de Chuquisaca, na área rural o triunfo foi para o candidato de Morales.

Os resultados oficiais da disputa eleitoral serão conhecidos na terça-feira, dia 1º de julho, segundo informou o presidente da Corte Nacional Eleitoral, José Luis Exeni.

"Evo Morales perde não somente um prefeito (governador), mas o controle político de um território, que se soma aos que já estão na oposição", disse à BBC o analista político Jorge Lazarte.

Para ele, a oposição demonstrou que "só pode ganhar estando unida". "A oposição junta é mais que o MAS (partido oficial) no país."

Cenário político
A eleição de Cuéllar complica o cenário político de Evo Morales, porque dá à oposição o controle de sete das nove Prefeituras do país.

Quatro dessas regiões já se declararam autônomas em referendos regionais que foram desconhecidos pelo governo.
Neste domingo, Cuéllar reforçou sua promessa eleitoral de promover autonomia para o Departamento, e de buscar um referendo nacional que decidiria onde devem residir os três poderes do Estado.

Cuéllar, indígena, vendedora de roupas, precisa ser designada oficialmente pelo presidente, como a Constituição do país estabelece. Morales já havia adiantado que reconhecerá o vencedor das eleições em Chuquisaca.

Em 2005, ela foi eleita como membro da Assembléia Constituinte pelo MAS de Morales. Depois, se alinhou à demanda de Sucre de reivindicar a sede dos poderes Executivo e Legislativo, que hoje funcionam em La Paz.

Após a votação, a candidata deu uma entrevista coletiva ao lado de líderes da oposição conhecidos por suas críticas duras a Morales. Cerca de metade de seu discurso foi feito em seu idioma nativo, o quechúa, e teve de ser traduzido pelas redes de TV.

Ela pediu a Morales que considere a opinião dos nove Departamentos da Bolívia. "Ele (Morales) é como um pai, tem de reconhecer todos os filhos, porque não se pode discriminar."

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