Mugabe e oposição fecham acordo no Zimbábue

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição no país, Morgan Tsvangirai, assinaram em uma reunião nesta segunda-feira um memorando de entendimento com o objetivo de resolver a crise política no país africano.

O acordo estabelece as bases das negociações para a possível formação de um governo de coalizão, após a polêmica eleição presidencial que reencaminhou, em 29 de junho, Mugabe ao poder.

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, mediou as negociações entre Mugabe e Tsvangirai e descreveu a reunião entre os dois de "histórica". Foi a primeira vez que os dois políticos zimbabuanos se encontraram em dez anos.

Tsvangirai disse que o pacto com Mugabe, com o qual trocou um aperto de mãos, foi "uma tentativa de primeiro passo para uma solução para um país que está em crise".

"Nós estamos comprometidos em garantir que o processo de negociação seja bem-sucedido", disse.

Por sua vez, Mugabe disse que o encontro foi para "traçar um novo caminho" de interação política e afirmou que os dois lados devem realizar negociações como zimbabuanos, sem influência dos países da Europa ou dos Estados Unidos.

Duas semanas
Segundo o correspondente da BBC em Johanesburgo, Jonah Fisher, o documento firmado nesta segunda-feira prevê a assinatura de um acordo final em duas semanas.

Entretanto, segundo Fisher, é difícil antever uma solução rápida para as questões em jogo, e o documento não diz nada sobre um tema central: o futuro de Mugabe.

O acordo desta segunda-feira, de cinco páginas, não dá detalhes sobre como se daria a divisão do poder.

Mugabe insiste em ser reconhecido como presidente, uma exigência rejeitada pelo partido de Tsvangirai, o MDC, que acusa Mugabe de ter recorrido à violência para vencer as eleições.

O MDC afirmou que negociações formais podem começar já na quarta-feira.

Nova nota
O possível acordo foi fechado após meses de impasse político e de atos de violência que deixaram inúmeros mortos durante o processo eleitoral.

Os dois lados vinham sofrendo forte pressão para se sentar à mesa de negociações.

A tensão política no Zimbábue atingiu o ápice após o segundo turno das eleições presidenciais, em 27 de junho, que foram boicotadas pela oposição e sofreram inúmeras denúncias de irregularidades.

Mugabe conclamou vitória nas urnas depois de ter concorrido sozinho. Sob seu governo, o Zimbábue viveu um colapso econômico e hoje tem uma inflação anual de 2.200.000%.

Milhões de moradores do país se refugiaram em nações vizinhas para fugir da violência na época do pleito e da crise econômica.

O anúncio do acordo aconteceu no mesmo dia em que o governo anunciou o lançamento de uma nova nota de dinheiro, com o valor facial de 100 bilhões de dólares zimbabuanos.

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